top of page

OBSTÁCULOS PODEM SE TORNAR DEGRAUS - parte 4 de 4

Foto do escritor: Luiz Fernando Arêas
Luiz Fernando Arêas
7 de set.
4 min de leitura

Bom dia.




A conclusão da série: "Obstáculos podem se tornar degraus" (veja parte 1, parte 2, parte 3).


Vimos anteriormente:


Quando Deus parece em silêncio.


Quando até as pessoas se tornam obstáculos.


Uma migalha do poder de Deus é suficiente.


Subtema de hoje:


Não tire os olhos da linha de chegada


Uma prova de corrida com barreiras tem uma característica curiosa: os obstáculos fazem parte do percurso. O atleta não vence porque encontra uma pista sem barreiras. Vence porque aprende a passar por elas sem perder de vista a linha de chegada.


A história da mulher cananeia se parece com essa corrida.


Ela tinha um objetivo claro: buscava a libertação de sua filha. Entre sua necessidade e a resposta, encontrou uma impressionante sequência de obstáculos: preconceito cultural, preconceito religioso, o silêncio de Jesus, a oposição dos discípulos, a afirmação de que a missão de Jesus estava dirigida prioritariamente a Israel e, por fim, a figura do pão dos filhos e dos cachorrinhos.


Se ela tivesse interpretado qualquer uma dessas barreiras como sinal para desistir, teria voltado para casa antes de ouvir a resposta de Jesus.


Mas não desistiu. O que transformou obstáculos em degraus foram suas atitudes.


Primeiro, determinação. Ela foi até Jesus mesmo sabendo das barreiras que existiam. Depois, fé. Ela procurou a pessoa certa. Chamou Jesus de “Senhor” e “Filho de Davi”, título do Messias. Sua esperança não estava na própria força, mas naquele a quem recorria.


Houve também humildade. Ela se prostrou. Não tentou controlar a conversa nem impor condições. Reconheceu sua dependência.


Ela adorou. Antes de receber o milagre, ela se colocou aos pés de Cristo. Sua devoção não dependia de uma resposta imediata.


Então ela clamou: “Tem compaixão de mim.” “Senhor, socorre-me.” Orações simples, sinceras, nascidas de uma necessidade real.


Houve perseverança, a característica que costura todas as outras. A cada novo obstáculo, ela permaneceu.


O texto termina com uma das declarações mais belas que alguém poderia ouvir de Jesus:


Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã.

(Mateus 15.28 - ARA)


Aqui gosto da Almeida Revista e Atualizada por incluir a interjeição "Ó". Ela está no grego (texto original). Jesus, o Deus encarnado, se dá o direito de se admirar com a fé dessa mãe guerreira!


E sua filha foi curada.


A grandeza da fé daquela mulher não se mostra porque ela realizou algo extraordinário, mas porque se recusou a abandonar Jesus no meio do caminho.


Isso nos ajuda a corrigir uma ideia comum sobre fé. Fé não é fingir que não existem problemas — a mulher não negou a gravidade da situação da filha. Fé não é ausência de lágrimas. Não é força emocional constante. Não é falar como se tudo já estivesse resolvido.


Fé é continuar olhando para Cristo quando os obstáculos dizem para olhar apenas para eles.


Nossa fé é provada real e verdadeiramente apenas quando estamos em conflitos muito difíceis, quando o próprio inferno parece estar aberto para nos engolir.

João Calvino, 1509-1564


Talvez você esteja no meio da corrida. Ainda existem barreiras e a linha de chegada não chega.


Você pode estar cansado de pedir pela mesma coisa, depois de enfrentar decepções sucessivas e ouvir palavras que quase fizeram você desistir. Quem sabe tenha começado essa caminhada cheio de esperança, mas agora esteja apenas reunindo forças para não parar.


A história dessa mulher não promete que todo pedido será respondido exatamente da maneira que imaginamos. Mas mostra que nenhuma dificuldade deve nos afastar daquele em quem está nossa esperança.


Alguns obstáculos, inclusive, podem produzir em nós aquilo que uma estrada fácil jamais produziria:


  • a espera pode aprofundar nossa oração;

  • a oposição pode purificar nossas motivações;

  • o silêncio pode nos ensinar a aquietarmos a alma;

  • a fraqueza pode nos ensinar dependência;

  • a necessidade pode nos levar aos pés de Cristo.


É nesse sentido que obstáculos podem se tornar degraus.


Nas mãos de Deus, aquilo que parecia apenas impedir nosso avanço pode acabar nos levando a uma fé mais profunda.


Perceba o movimento: cada barreira poderia ter afastado aquela mulher, mas ela terminou mais perto. Ela começou a narrativa clamando atrás de Jesus. Em seguida se aproximou. Depois se prostrou. Dialogou com Ele. E terminou ouvindo que sua fé era grande.


Esse texto da Bíblia me pergunta hoje: aquilo que estou enfrentando está me afastando de Deus ou estou permitindo que se torne um degrau para me aproximar dele?


Não podemos escolher todos os obstáculos que aparecerão em nosso caminho. Mas podemos escolher onde fixaremos os olhos. Não fixe os olhos apenas na barreira. Olhe para Cristo.


Continue orando. Persevere na adoração. Prossiga confiando. Não pare de caminhar. Há momentos em que a maior demonstração de fé é simplesmente não ir embora.


Essa mulher tinha uma grande necessidade. Encontrou grandes obstáculos. Mas respondeu a eles com grandes atitudes: determinação, fé, humildade, adoração, oração e perseverança.


Que sua história nos ensine a fazer o mesmo. Quando surgir uma barreira, não conclua imediatamente que a caminhada terminou. Pode ser apenas o próximo degrau.


Oração

Senhor, quando eu estiver cansado no meio da caminhada, ajuda-me a manter os olhos em ti. Dá-me determinação, fé, humildade, adoração, oração e perseverança. Usa até mesmo as dificuldades para me aproximar mais de ti. Que os obstáculos não tenham a palavra final, mas se tornem, pela tua graça, degraus de amadurecimento e confiança. E seja feita sempre a tua vontade. Em nome de Jesus, amém.

 
 
 

Comentários


bottom of page