• Luiz Fernando Arêas

CONSTRUINDO SOBRE A ROCHA

Bom dia.


Leia Mateus 7.24-29



O mais famoso sermão já pregado, sem dúvida, é o Sermão do Monte, pregado por Jesus, o Deus encarnado. Texto de suma importância. Precisa ser lido com frequência, pois é uma espécie de checklist da vida do cristão.


Vivemos dias difíceis, num mundo onde os valores antiDeus são cultuados. Vidas, relacionamentos, famílias e relacionamentos têm sido bombardeados pelos princípios "líquidos" da pós-modernidade para usar a expressão cunhada pelo sociólogo Zigmunt Bauman, 1927-2017, autor profícuo sobre o assunto, como se pode ver por alguns dos títulos de seus livros: Modernidade Líquida, Amor Líquido, Tempos Líquidos, Medo Líquido, Vida Líquida.


Em suma, aquilo que era moderno, sólido, constante, agora se tornou líquido, instável, pós-moderno. Tal marca é visível num mundo onde conceitos mudam com frequência, "o certo" e "o errado" não mais existem. O importante, diz a cultura, é ser feliz.


"Amigos" proliferam nas redes sociais. Casamentos duradouros são cada vez mais raros. Valores cristãos são relativizados.


Esse discurso e realidade não são novos. Estão aí há décadas, promulgando essa vida líquida, sem profundidade, tão comum no século XXI.


Jesus termina o Sermão do Monte com uma ilustração marcante, a parábola dos construtores. Dois homens com uma mesma necessidade e um mesmo objetivo, de construir casas. Contudo, a atitude deles para com algo tão fundamental é radicalmente diferente.


O primeiro é chamado de Jesus por "prudente" e constrói sua casa sobre uma rocha. Dá trabalho. Leva tempo. Requer força, persistência. Mas no fim, todo seu investimento é recompensado com uma casa sólida, capaz de suportar as chuvas fortes, os rios caudalosos e os fortes ventos que sopram sobre aquele lar.


"E ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha". Cair era uma possibilidade concreta, mas o fato de o construtor ter optado por construir sua casa num alicerce confiável fez toda a diferença.


Mas, há o outro construtor, a quem o Senhor chama de "insensato", "tolo", constrói sua casa sobre a areia. Cavar na areia é muito mais fácil do que cavar na rocha.

O construtor é imediatista, tem menos trabalho, sua casa fica pronta rapidamente. Contudo, a casa não resiste às provações que a vida lhe aflige. "E ela caiu! E foi grande a sua queda".


Jesus escolhe terminar o sermão mais famoso da história com uma frase chocante como essa. O texto não está simplesmente discutindo engenharia das casas, mas a engenharia da vida.


Impressiona que os versos 25 e 27 são idênticos nos eventos naturais que dão contra as casas:

Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa... Mateus (7.25 e 27)

Ou seja, independentemente de onde sua casa for construída, ela será testada. Conte com a chuva, os rios e os ventos, porque eles virão.


A diferença está no alicerce.


Jesus nos pergunta onde estamos erigindo nossas vidas. Construir sobre a rocha é uma escolha diária. Sobre qual alicerce estamos firmando toda nossa confiança? É isso que vai determinar se a casa permanecerá.


Paulo relembra das dificuldades de Israel no deserto, mencionando que Deus matara a sede do seu povo algumas vezes fazendo água sair da rocha:

Irmãos, não quero que vocês se esqueçam do que aconteceu muito tempo atrás, quando nossos antepassados foram guiados por uma nuvem que ia adiante deles e atravessaram o mar. Na nuvem e no mar, todos foram batizados como seguidores de Moisés. Todos comeram do mesmo alimento espiritual e todos beberam da mesma água espiritual, pois beberam da rocha espiritual que os acompanhava, e essa rocha era Cristo. (1Coríntios 10.1-4)

A rocha era Cristo. Cristo é a Rocha onde podemos e devemos construir nossas vidas.


Agradeço a Deus por ser a Rocha do meu casamento. Minha amada esposa e eu comemoramos 30 anos de casados hoje. Com a graça de Deus, temos procurado construir nossas vidas sobre a Rocha. "Até aqui nos ajudou o Senhor"! (1Samuel 7.12).


Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus. (Salmo 90.1,2)
Eu te amo, ó Senhor, força minha. O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza, o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo em que me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação, o meu alto refúgio. (Salmo 18.1,2)
O Senhor vive! Bendita seja a minha Rocha! Exaltado seja Deus, o meu Salvador! (Salmo 18.46)

Obrigado, Senhor. Toda glória seja dada a Ti.

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