OBSTÁCULOS PODEM SE TORNAR DEGRAUS, parte 1 de 4
- Luiz Fernando Arêas

- há 1 dia
- 3 min de leitura
Bom dia.
Leia: Mateus 15.21–28

Quando Deus parece em silêncio.
Há momentos em que a vida parece colocar uma barreira atrás da outra diante de nós. Oramos, insistimos, buscamos a Deus, mas a resposta não vem. Em vez de uma porta aberta, encontramos silêncio. Em vez de alívio imediato, surgem novas dificuldades. Nessas horas, podemos ter a impressão de que Deus está distante, ocupado ou indiferente à nossa dor.
A mulher cananeia de Mateus 15 conheceu essa experiência. Sua filha estava terrivelmente atormentada, e ela procurou Jesus porque sabia que somente Ele poderia ajudá-la. Não chegou para discutir teologia nem para defender seus méritos. Chegou como uma mãe desesperada, clamando:
...“Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim! Minha filha está endemoninhada e está sofrendo muito”.
(Mateus 15.22)
Mas, antes de alcançar a resposta que desejava, precisou enfrentar vários obstáculos.
Os primeiros estavam ligados à própria sociedade em que vivia. Ela era mulher, numa cultura em que uma mulher não costumava abordar publicamente um homem estranho. Além disso, era gentia, cananeia, alguém que estava fora do povo de Israel. Havia barreiras culturais e religiosas separando-a daquele Mestre judeu.
Mesmo assim, ela foi.
A necessidade era grande demais para que o preconceito a fizesse voltar para casa. Seu amor pela filha era maior que o medo de ser rejeitada. Sua esperança em Jesus era maior que aquilo que os outros poderiam pensar dela.
Às vezes, nossa caminhada com Deus também exige essa determinação. Há vozes que dizem que não somos dignos, que não sabemos orar direito, que já erramos demais, que nossa situação não tem solução. Há lembranças do passado, sentimentos de inadequação e até opiniões de pessoas que podem nos fazer pensar que não temos o direito de nos aproximar de Deus.
Mas aquela mulher nos ensina algo precioso: quando sabemos onde está a nossa esperança, não devemos permitir que as barreiras nos impeçam de ir até Jesus.
Então aparece um obstáculo ainda mais doloroso: o silêncio.
Mas Jesus não lhe respondeu palavra. Então seus discípulos se aproximaram dele e pediram: “Manda-a embora, pois vem gritando atrás de nós”.
(Mateus 15.23)
Ela clamou, mas não recebeu resposta imediata.
Talvez poucas experiências espirituais sejam tão difíceis quanto essa. Conseguimos lidar melhor com um “sim” e, às vezes, até com um “não”. Mas o silêncio nos desconcerta.
Quando não entendemos o que Deus está fazendo, nossa mente começa a preencher o vazio com perguntas: Será que Ele me ouviu? Será que se importa? Será que minhas orações fazem alguma diferença?
Os salmos mostram que esse sentimento não é estranho à fé. Davi clamou:
A ti eu clamo, Senhor, minha Rocha; não fiques indiferente para comigo. Se permaneceres calado, serei como os que descem à cova.
(Salmo 28.1)
Em outro salmo, o salmista, representando o povo de Deus, pergunta:
Por que escondes a face e te esqueces da nossa miséria e da nossa opressão?
(Sl 44.24 - ARC)
A Bíblia não esconde esses momentos. Pessoas de fé também atravessam períodos em que Deus parece silencioso.
Mas o silêncio de Deus não significa ausência de Deus. Na narrativa, Jesus estava ali. A mulher não conseguia compreender o que estava acontecendo, mas estava diante da pessoa certa. O silêncio não era o fim da história.
Essa é uma verdade importante para os dias em que nossas orações parecem bater no teto. Não devemos interpretar uma resposta demorada como prova de abandono. Muitas vezes, vemos apenas um pequeno trecho daquilo que Deus está fazendo. Ele vê a história inteira.
A mulher cananeia não recebeu imediatamente o que pediu, mas continuou diante de Jesus. O primeiro grande passo de sua vitória foi exatamente esse: ela não foi embora.
Talvez hoje você também esteja diante de uma oração antiga. Uma situação familiar, uma porta profissional, uma enfermidade, um conflito, uma preocupação com alguém que ama.
Você pediu, esperou e ainda não viu a resposta. Não transforme o silêncio em sentença. Continue buscando. Continue orando. Continue colocando sua necessidade diante do Senhor.
A fé não é apenas confiar em Deus quando Ele responde rapidamente. Fé também é permanecer diante dEle quando ainda não entendemos o que Ele está fazendo.
Aquela mulher começou a caminhada enfrentando preconceito, distância e silêncio. Parecia estar encontrando obstáculos. Na verdade, estava subindo degraus.
Paciência na oração é simplesmente fé prolongada.
Thomas Watson, 1620-1686
Oração
Senhor, quando eu não compreender o teu silêncio, ajuda-me a não confundi-lo com abandono. Dá-me determinação para continuar buscando a tua presença, mesmo quando as respostas demorarem. Que nenhuma barreira, opinião ou sentimento de indignidade me afastem de Jesus. Ensina-me a confiar em ti também enquanto espero. Amém.

Comentários