A NOITE ESCURA DA ALMA, parte 3 de 4

Bom dia.
Leia Salmo 88

Vimos anteriormente:
Quando o céu parece de concreto
Orando quando Deus parece em silêncio
Subtema de hoje: As trevas não têm a última palavra
O Salmo 88 termina de uma maneira desconcertante. Depois de derramar sua dor diante de Deus, o salmista não anuncia uma mudança de circunstâncias. Não há uma frase triunfante dizendo que tudo se resolveu. Sua última imagem é a das trevas ao seu redor.
Tiraste de mim os meus amigos e os meus companheiros; as trevas são a minha única companhia.
(Sl 88.18)
Se o salmo terminasse apenas ali, poderíamos fechar a Bíblia com um peso enorme no coração. Mas nós lemos o Salmo 88 de um lugar que seu autor ainda não conhecia plenamente, pois vivemos depois da cruz e da ressurreição de Jesus.
Hemã olha para a morte e faz perguntas angustiadas. Para ele, a sepultura parece ser a fronteira final, uma terra de silêncio e esquecimento:
Acaso mostras as tuas maravilhas aos mortos? Acaso os mortos se levantam e te louvam? Será que o teu amor é anunciado no túmulo, e a tua fidelidade, no Abismo da Morte?
(Sl 88.10,11)
Nós, porém, sabemos o que aconteceu na manhã de Páscoa.
Hemã sente-se abandonado; Cristo entrou no abandono. Hemã pensa estar debaixo da ira; Cristo tomou sobre si aquilo que nos condenava. Hemã teme a morte; Cristo entrou na morte.
O contraste é poderoso: aquilo que para o salmista parecia um caminho sem saída tornou-se, em Jesus, o caminho pelo qual a esperança chegou até nós. O túmulo não conseguiu reter Cristo. E isso muda a maneira como enxergamos toda escuridão.
O sofrimento descrito no Salmo 88 também nos conduz à cruz. Quem foi o Homem que desceu ao ponto mais profundo do sofrimento? Quem foi rejeitado, cercado por inimigos e abandonado por seus amigos? Quem experimentou, na cruz, a terrível sensação do desamparo e clamou:
“Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?”
(Mateus 27.46; Sl 22.1)
Aquele grito, vindo do Salmo 22, nos ajuda a enxergar o Salmo 88 à luz da obra de Cristo. Por isso, quando atravessamos nossa própria noite escura, não falamos com um Deus indiferente ao sofrimento. Jesus conhece o abandono, a rejeição e a morte. A cruz nos mostra até onde Ele foi por nós.
E existe uma diferença decisiva entre a noite do Salmo 88 e a nossa noite: nós sabemos que Cristo não permaneceu no túmulo. Por isso, as trevas podem estar presentes, mas não têm autoridade para escrever o último capítulo.
Talvez hoje você esteja vivendo uma situação que ainda não tem solução. A cruz não nos autoriza a fingir que a dor não existe. Jesus não fingiu. Ele sofreu e clamou. O evangelho não diminui a nossa dor. Ele nos oferece esperança dentro dela.
Cristo desceu ao lugar mais profundo para que nenhuma profundidade fosse capaz de nos separar de seu amor. Ele entrou na morte e saiu dela vitorioso. Por isso, o túmulo, que para Hemã parecia o fim de todas as coisas, tornou-se para o cristão um lugar cuja porta foi aberta por Jesus.
Paulo escreve em Romanos 8 que toda a criação geme e que nós também gememos enquanto aguardamos a redenção completa. A fé cristã não nega o gemido. Ela afirma que o gemido não será eterno. Existe uma manhã prometida.
O Salmo 139 diz que até as trevas não são escuras para Deus. Aquilo que para nós é noite fechada permanece totalmente visível aos olhos daquele que nos acompanha.
Há dias em que não conseguimos enxergar a mão de Deus nem perceber sua direção. Em certos momentos, nossa história parece parada numa Sexta-Feira Santa. Mas a ressurreição de Jesus nos lembra de que Deus ainda trabalha quando tudo parece encerrado.
A pedra foi colocada diante do túmulo.
As esperanças pareciam sepultadas.
Mas Deus ainda não havia terminado.
Por isso, não transforme a escuridão de hoje em uma profecia sobre o seu amanhã.
Sua dor é real. Sua noite pode ser longa. Mas, se você pertence a Cristo, ela não é eterna. A luz brilha nas trevas. E as trevas não a vencerão.
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