RENOVAÇÃO ESPIRITUAL, 2 de 3

Bom dia.
Leia Gênesis 35.1-7

Voltar a Betel exige uma decisão radical.
Depois de mais de vinte anos, Jacó recebeu de Deus uma ordem: voltar a Betel, onde o Senhor havia aparecido a ele quando fugia de seu irmão Esaú.
Betel era o lugar da promessa e do encontro com Deus. Mas, para retornar àquele lugar, Jacó precisava tomar uma decisão que envolveria não apenas sua própria vida, mas toda a sua família. O texto diz:
“Disse, pois, Jacó aos de sua casa e a todos os que estavam com ele: ‘Livrem-se dos deuses estrangeiros que estão entre vocês, purifiquem-se e troquem de roupa. Venham! Vamos subir a Betel’”
(Gn 35.2–3)
Voltar a Betel não é necessariamente uma viagem física, embora isso também possa acontecer. É, principalmente, uma atitude do coração: voltar-se totalmente para Deus e entregar tudo a ele, sem reservas.
O auto-esvaziamento prepara o transbordamento espiritual.
Richard Sibbes, 1577-1635
Jacó convoca toda a família e dá uma ordem clara, que deve ser cumprida sem negociações.
Não dá para voltar a Betel e levar os deuses estrangeiros juntos. Não dá para dividir Betel com outras agendas. Não dá para ir a Betel sem trocar de roupa nem sem purificação.
Aquelas pessoas precisavam abandonar seus ídolos, purificar-se e mudar suas vestes. Eram atitudes concretas que expressavam uma decisão espiritual.
Quando Jacó fugiu de Labão com sua família, Raquel havia roubado os ídolos do pai. Agora, esses deuses estrangeiros precisavam ser abandonados. Havia também brincos que possivelmente eram usados como amuletos ou símbolos religiosos.
Eles não poderiam continuar com aquelas coisas e, ao mesmo tempo, pretender renovar sua comunhão com o Senhor.
Jesus contou uma parábola que nos ajuda a compreender a seriedade dessa decisão.
Em Mateus 22, ele fala de um rei que preparou um banquete de casamento para seu filho. Quando tudo estava pronto, enviou seus servos para chamar os convidados.
“Está tudo preparado. Venham para o banquete de casamento!”
(Mt 22.4)
Mas os convidados não deram atenção ao convite. Um foi para seu campo, outro para seus negócios. Outros chegaram a maltratar e matar os servos enviados pelo rei.
A agenda estava ocupada demais.
Então o rei mandou que os servos convidassem todas as pessoas que encontrassem, boas e más, e a sala do banquete ficou cheia. Mas aconteceu algo surpreendente. Quando o rei entrou para ver os convidados, encontrou um homem que não estava usando a veste nupcial:
“Amigo, como você entrou aqui sem veste nupcial?”
(Mt 22.12)
O homem ficou sem resposta. Ele queria participar do banquete, mas sem estar devidamente vestido. Queria entrar na festa sem trocar de roupa.
A parábola nos lembra que o convite da graça de Deus não pode ser tratado com indiferença. Não podemos querer desfrutar da comunhão com o Senhor enquanto insistimos em preservar aquilo que nos afasta dele. É exatamente esse o problema que a família de Jacó precisava resolver.
O texto continua:
“Então entregaram a Jacó todos os deuses estrangeiros que possuíam e os brincos que usavam nas orelhas, e Jacó os enterrou ao pé da grande árvore, próximo a Siquém”
(Gn 35.4)
Eles entregaram tudo a Jacó. E aquilo foi enterrado. Radical. Essa é uma palavra importante quando pensamos em renovação espiritual.
Muitas vezes queremos experimentar novamente a alegria da presença de Deus, mas sem abandonar determinados hábitos, pecados ou prioridades que tomaram o lugar dele em nosso coração. Queremos voltar a Betel, mas levando nossos deuses estrangeiros na bagagem.
E quais são esses deuses? Tudo aquilo que ocupa o lugar que pertence exclusivamente ao Senhor. Aquilo que governa nossas decisões, domina nossos afetos e recebe nossa confiança acima de Deus. Podem ser coisas claramente pecaminosas, mas também coisas boas que transformamos em absolutas.
Por isso, a renovação espiritual exige arrependimento. Não basta sentir saudades dos dias em que estivemos mais próximos de Deus. Precisamos nos voltar para ele de todo o coração.
Jesus Cristo não apenas nos convida a voltar. Ele também nos oferece o perdão e a graça de que precisamos para recomeçar.
Você precisa de renovação espiritual? Quer voltar a Betel? Faça isso. Seja radical. Deixe sua roupa suja e seus deuses estrangeiros para trás.
Para refletir: Quais são os deuses estrangeiros que preciso abandonar? O que tenho tentado levar comigo, mesmo sabendo que deveria deixar para trás?
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