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O QUE FARÁS COM O RESTO DA VIDA? 1 de 4

Foto do escritor: Luiz Fernando Arêas
Luiz Fernando Arêas
há 20 horas
4 min de leitura

Bom dia.




Há perguntas que parecem simples, mas carregam um peso enorme. Uma delas é esta: o que você fará com o resto da sua vida?


A pergunta surgiu para mim ao meditar na história do rei Ezequias. Ele foi um dos bons reis de Judá. Começou a reinar ainda jovem, promoveu reformas espirituais, restaurou o culto, combateu a idolatria e conduziu o povo de volta ao Senhor. Também enfrentou uma das maiores ameaças de seu tempo: o poderoso exército assírio cercou Jerusalém, mas Ezequias buscou a Deus, orou e viu o Senhor livrar a cidade.


Uma história de fé, coragem e grandes realizações. Até que um dia veio uma notícia devastadora. O profeta Isaías entrou no palácio e disse ao rei:


“Assim diz o Senhor: ‘Ponha em ordem a sua casa, pois você vai morrer; não se recuperará’”.

(2Reis 20.1)


Poucos lugares reorganizam nossas prioridades tão rapidamente quanto uma sala de espera de hospital. Alguém pode chegar a essa sala preocupado com trabalho, carro ou dinheiro, mas uma única frase do médico pode fazer tudo aquilo que parecia enorme se tornar pequeno. Certas experiências arrancam de nós a ilusão de permanência.


Ezequias virou o rosto para a parede e chorou. Diante da morte, todo o poder de um rei se torna pequeno. Riqueza, influência, projetos, prestígio: nada disso consegue acrescentar um único dia à vida. Mas Ezequias orou.


Antes que Isaías deixasse o palácio, Deus mandou que ele voltasse. A mensagem agora era outra:


“Ouvi sua oração e vi suas lágrimas; eu o curarei.”

(2Reis 20.5)


E o Senhor acrescentou quinze anos à vida do rei. Quinze anos. Mais 5.475 anos de vida.


Se Deus lhe aparecesse hoje e dissesse que você ainda teria exatamente quinze anos de vida, o que mudaria?


Talvez você reorganizasse suas prioridades, perdoasse alguém, passasse mais tempo com sua família, servisse mais, deixasse de adiar decisões importantes e levasse Deus mais a sério.


Mas nenhum de nós recebeu uma garantia de quinze anos. Sabemos apenas que temos o dia de hoje. E talvez a consciência disso devesse mudar a maneira como vivemos.


Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.

(Sl 90.12)


Ezequias recebeu uma segunda oportunidade. Porém, lamentavelmente, os anos adicionais não se tornaram necessariamente seus melhores anos. Depois de uma vida marcada por fidelidade, seu coração se exaltou. O homem que começou tão bem não terminou da mesma forma. Isso é um alerta para todos nós.


Na vida cristã, não basta começar bem.


É possível ter um passado bonito e ainda assim terminar mal. Podemos acumular décadas de experiência espiritual e ainda baixar a guarda. Podemos ter histórias de oração respondida, serviço, ministério e fidelidade, mas nada disso nos torna imunes ao orgulho, à distração ou ao esfriamento.


Por isso, a pergunta não é apenas: “Como comecei?” A pergunta é: “Como quero terminar?” O apóstolo Paulo, perto do fim da vida, escreveu na sua última carta, a Segunda Carta a Timóteo:


“Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.”

(2Tm 4.7)


Que bela frase! Um lindo epitáfio. Ele não diz apenas que começou a corrida. Ele a terminou.


Talvez você olhe para trás e veja anos dos quais se orgulha. E certamente verá erros também, perdas, oportunidades desperdiçadas e decisões que tomaria de outra forma. O passado não pode ser reescrito. Mas o restante da história ainda está diante de nós.


Enquanto Deus nos dá vida, ainda podemos amar melhor, servir melhor, orar mais, reconciliar-nos, ensinar, aprender, encorajar e aproximar-nos do Senhor. A maturidade cristã não consiste em viver olhando para realizações antigas. Consiste em perguntar: “Senhor, o que desejas fazer comigo agora?”


Feliz é a pessoa que avança diariamente e não considera o que fez ontem, mas, sim, que progresso pode obter hoje.

Jerônimo, 347-420


E talvez isso seja ainda mais importante à medida que os anos passam. A sociedade costuma falar da juventude como tempo de construção e da velhice como tempo de apenas olhar para trás. A Bíblia não apresenta a vida assim. Enquanto há vida, há vocação. Enquanto respiramos, ainda podemos glorificar a Deus.


Talvez o restante de nossa vida não seja o período em que faremos as maiores coisas aos olhos do mundo. Mas pode ser o período em que nos tornaremos mais parecidos com Cristo.


Pode ser o tempo de aprofundar relacionamentos.

De deixar um legado de fé.

De ensinar alguém mais jovem.

De reparar algo que ficou quebrado.

De abandonar um pecado antigo.

De aprender a agradecer.

De terminar bem.


Ezequias recebeu quinze anos extras. Não sabemos quanto tempo temos. Mas sabemos o que podemos fazer com o dia de hoje. Podemos entregá-lo a Deus.


Podemos dizer: “Senhor, aqui está o resto da minha vida. Seja ele longo ou curto, quero vivê-lo contigo.”


Para refletir: Se Deus me concedesse mais quinze anos, o que eu gostaria que fosse diferente em minha vida?


Oração: Senhor, obrigado pelo tempo que já me deste. Perdoa-me pelos dias que desperdicei e ajuda-me a não viver de forma distraída. Ensina-me a terminar bem minha caminhada. Que o restante da minha vida seja vivido em tua presença, para tua glória e para o bem daqueles que colocaste ao meu redor. Amém.


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