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NAS TUAS MÃOS ENTREGO MEU ESPÍRITO, 3 de 3

Foto do escritor: Luiz Fernando Arêas
Luiz Fernando Arêas
há 13 horas
4 min de leitura

Bom dia.


Leia Salmo 31.



Estamos concluindo nossa reflexão sobre o Salmo 31, um dos mais belos testemunhos de confiança em Deus em meio ao sofrimento.


Anteriormente, vimos as duas primeiras lições deste salmo:


Em quais mãos eu tenho confiado minha vida?


e


A única constante nas equações da vida é Deus.



Vimos que nosso relacionamento com Deus exige uma entrega total a ele e que, embora as circunstâncias da vida estejam sempre mudando, podemos confiar no Senhor, porque ele permanece fiel.


A terceira lição é uma consequência das duas anteriores:


Nossa entrega nas mãos de Deus deve ser total e sem reservas.


O salmista declara:


“Como é grande a tua bondade, que reservaste aos que te temem, da qual usas, perante os filhos dos homens, para com os que em ti se refugiam!”

(Sl 31.19)


O que acontecia com Davi pode acontecer conosco também. Não é difícil calçar as sandálias do salmista aqui. Ele estava passando por enormes dificuldades. Os versículos 9–13 descrevem uma angústia profunda, caracterizada pela solidão, pela rejeição e pelo medo.


A profundidade psicológica deste salmo é impressionante. Davi era desprezado por seus inimigos e vizinhos, evitado até mesmo pelos amigos mais próximos. Ele diz:


“Estou esquecido no coração deles, como morto; sou como vaso quebrado.”

(Sl 31.12)


Para quê serve um vaso quebrado? Que descrição dolorosa! O salmista não diz a Deus que tudo está bem, porque não está. Ele descreve uma série de problemas com os quais precisa lidar, talvez no momento mais difícil de sua vida.


Essa é uma das grandes belezas dos Salmos. Eles nos ensinam que há espaço na presença de Deus tanto para o louvor quanto para o lamento. Não precisamos esconder nossas lágrimas, nossa angústia ou nossas perguntas. Podemos abrir completamente o coração diante do Senhor.


Davi tinha essa certeza:


“Pois tens visto a minha aflição, conheceste as angústias da minha alma.”

(Sl 31.7)


Que verdade tremenda. Os olhos do Senhor têm visto a minha aflição. O Senhor conhece as angústias da minha alma. Que grande consolo.


Mesmo quando ninguém compreende nossa dor, Deus a conhece. Mesmo quando nos sentimos esquecidos, ele continua presente. Por isso, Davi pode afirmar:


“Nas tuas mãos, estão os meus dias...” 

(Sl 31.15)


É como se ele dissesse: "Deposito meus dias nas melhores mãos que existem no universo.

Sejam quantos dias forem, sejam bons ou maus, dias de louvor ou de angústia, dias de luz ou de escuridão". Porque as trevas não duram para sempre.


Jesus afirmou:


“Quem me segue nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida.” 

(Jo 8.12)


Ele é a luz do mundo. Ele é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O Senhor é a fortaleza da minha vida. (Sl 27.1)


Precisamos aprender a viver assim. Devemos ser como selos de correio: ficar grudados a uma única coisa até chegarmos ao nosso destino.


Grudados em Deus, somente em Deus, resistiremos às armadilhas da vida, aos momentos em que tudo parece estar fora de controle.

Fazendo dele nossa fortaleza, resistiremos ao dia mau, aos inimigos, aos perversos, à língua mentirosa e àqueles que constroem tramas contra nós. Ele é nossa rocha, nossa fortaleza, nosso castelo forte.


Mas existe algo ainda mais maravilhoso nesse salmo.

Não é difícil relacionar os versículos 11–13 à agonia de Jesus na cruz.


Por causa de todos os meus adversários, sou motivo de ultraje para os meus vizinhos e de medo para os meus amigos; os que me veem na rua fogem de mim. Sou esquecido por eles como se estivesse morto; tornei-me como um pote quebrado. Ouço muitos cochicharem a meu respeito; o pavor me domina, pois conspiram contra mim, tramando tirar-me a vida.

(Sl 31.11-13)


Ele também foi rejeitado, desprezado e abandonado. Sofreu a mais profunda angústia.


O reformador Tilemann Heshusius. 1527–1588, escreveu que esse salmo pode ser aplicado à igreja e a cada um dos seus membros. Os cristãos podem passar por dificuldades tão grandes que chegam a perder a esperança de viver, mas são sustentados e defendidos por Deus.


E Jesus Cristo, o Filho de Deus, assumiu sobre si a miséria de seu povo. Ele suportou o sofrimento e a ira divina contra o pecado. E fez deste salmo sua oração final na cruz:


“Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.” 

(Lc 23.46)


Lembre-se daquele que confiou totalmente no Pai.


O Pai recebeu o espírito de seu Filho, e a ressurreição é a grande confirmação de sua vitória.

Porque Jesus morreu e ressuscitou, podemos enfrentar nossas aflições com a esperança da vida eterna.


O Salmo 31 termina com uma exortação maravilhosa:


“Sede fortes, e revigore-se o vosso coração, vós todos que esperais no Senhor.” 

(Sl 31.24)


Espere no Senhor. Deposite todos os seus dias em suas mãos.


O Pai cuida de seus filhos. Sejam quais forem os tempos que atravessamos, entreguemo-nos totalmente às suas carinhosas mãos.


Para refletir: Tenho confiado em Deus apenas quando tudo vai bem ou sou capaz de entregar-lhe também meus dias de dor, incerteza e escuridão?


 
 
 

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