QUEM É ESSE REI DA GLÓRIA? - parte 1 de 3
- Luiz Fernando Arêas

- há 9 horas
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Bom dia.
Leia Salmo 24

Apesar de seu famosíssimo vizinho, o Salmo 23, raramente encontro reflexões sobre o Salmo 24, pelo qual nutro um profundo apreço, pois é um dos meus textos preferidos.
Este belo salmo de Davi está profundamente relacionado aos acontecimentos narrados em 2Samuel 6, uma das grandes ocasiões da vida do rei: o dia em que ele trouxe a arca do Senhor da casa de Obede-Edom para Jerusalém.
Por isso, ao lermos este salmo, é importante termos diante dos olhos a cena daquela grande celebração: uma procissão avançando em direção ao Monte Sião, enquanto o povo entoava cânticos de louvor ao Senhor.
As perguntas e respostas dos versos 3 e 4 e, especialmente, dos versos 7 a 10 nos ajudam a imaginar diferentes grupos cantando alternadamente, em uma espécie de jogral, como ainda hoje vemos em algumas apresentações de corais.
Assim, o Salmo 24 não deve ser apenas lido; de certa forma, ele precisa ser ouvido e imaginado. Há movimento, celebração, perguntas e respostas, enquanto a arca — símbolo da presença do Senhor no meio do seu povo — aproxima-se de Jerusalém.
Segundo uma antiga tradição judaica, registrada na Mishn, o primeiro grande livro de leis e tradições orais do judaísmo, reunido por escrito por volta do ano 200 d.C., o Salmo 24 era entoado pelos levitas no Templo no primeiro dia de cada semana. Assim, semana após semana, estas palavras voltavam a lembrar ao povo que a terra, o mundo e todos os seus habitantes pertencem ao Senhor.
Nos versículos 1 a 6, somos convidados a refletir sobre quem é verdadeiramente digno de se aproximar e participar dessa santa celebração na presença do Senhor.
Os versos 1 e 2 destacam o Deus Criador:
1 Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem; 2 pois foi ele quem a estabeleceu sobre os mares e a firmou sobre as águas.
(Sl 24.1,2)
A ênfase do texto hebraico está no Senhor, no verso 1, e em Ele, no verso 2, e não na terra ou na criação. Ele é quem criou a terra e quem a sustenta. Cada átomo do universo está debaixo do seu absoluto controle.
Já nesses primeiros versos, a rica teologia do Salmo 24 nos ajuda a responder a algumas das grandes perguntas da humanidade: Quem sou eu? De onde vim? De onde veio este mundo?
A terra é criação de Deus, e não um simples “acidente cósmico”, fruto do acaso. Nós também somos criação de Deus, feitos à sua imagem e semelhança. Pertencemos a Ele — nós e tudo o que somos, bem como tudo aquilo que nos foi confiado: nossa vida, nossa família, nossos bens, dons e talentos.
E, porque “do Senhor é a terra”, cada um de nós é chamado a viver como fiel mordomo daquilo que pertence a Deus. Somos guardiões, não proprietários. Que o nosso coração esteja verdadeiramente comprometido em cuidar daquilo que Ele colocou em nossas mãos com amor, gratidão e responsabilidade.
Não permitamos que nossa alma se apegue às coisas criadas, nem vivamos como se fôssemos donos absolutos de alguma coisa. Tudo pertence ao Senhor, e tudo aquilo que hoje temos em nossas mãos um dia deixaremos para trás. O mundo passa, mas a vontade de Deus permanece para sempre.
Começar a semana confessando “Do Senhor é a terra” significa começar reconhecendo que o mundo não é nosso, a vida não é nossa e a semana que se inicia também pertence a Ele.
"Senhor, Tu nos criaste para Ti, e nossos corações não encontram sossego enquanto não descansarem em Ti."
Agostinho, 354-430
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