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QUANDO A ANSIEDADE ENCONTRA O TRIUNFO DE CRISTO, 1 de 3

Foto do escritor: Luiz Fernando Arêas
Luiz Fernando Arêas
há 13 horas
3 min de leitura

Bom dia.




Há momentos em que o coração do servo de Deus está aflito, embora o trono de Deus nunca esteja ameaçado. A experiência do apóstolo Paulo em Trôade nos ensina uma verdade preciosa: a vida cristã madura não é a ausência de inquietação, e sim a disposição de levar nossas aflições à luz da soberania de Deus.


O cenário é este: Paulo havia enviado Tito a Corinto com uma carta severa, na tentativa de resolver uma crise naquela igreja. Enquanto aguardava notícias, foi para Trôade, onde o Senhor lhe abriu uma porta para a pregação do evangelho.


Havia uma oportunidade extraordinária diante dele. A mensagem encontrava receptividade e o trabalho avançava. Era o sonho de qualquer pregador! No entanto, seu espírito não tinha sossego. Havia um vazio em seu coração: ele esperava encontrar Tito, e Tito não apareceu.


Para nós, hoje, é quase impossível mensurar esse silêncio. Você conseguiria passar um dia inteiro sem o celular? Sem a confirmação de leitura de uma mensagem? Sem aquele simples “estou chegando” no WhatsApp?


Houve um tempo em que as pessoas precisavam conviver com a ausência de informações. Se alguém atrasasse duas horas voltando do trabalho, não havia como enviar um aviso. Quem esperava simplesmente aguardava. Nesse intervalo, a imaginação, alimentada pelo medo, frequentemente preenchia o vazio. A ansiedade crescia na ausência de informação.


Paulo vivia uma situação semelhante. Ele não sabia o que havia acontecido com Tito, nem como a igreja de Corinto havia recebido sua carta. Seu coração estava dividido entre uma oportunidade ministerial e a preocupação com pessoas que amava.


E aqui encontramos algo muito bonito na maturidade espiritual do apóstolo: ele não usa a porta aberta como máscara para esconder o coração apertado. Ele é transparente. A oportunidade era divina, e a inquietação era real.


Quantas vezes fazemos exatamente o contrário? Tentamos esconder nossas preocupações porque imaginamos que um cristão maduro deveria estar sempre tranquilo, seguro e emocionalmente equilibrado. Sentimos vergonha de admitir que estamos preocupados com nossos filhos, nossa saúde, nosso trabalho ou com o futuro.


Entretanto, a Bíblia não apresenta seus servos como pessoas imunes às aflições humanas. Paulo conhecia a angústia, o sofrimento e as noites de preocupação. Sua confiança em Deus não eliminava sua sensibilidade diante das circunstâncias.


A ansiedade revela nossa limitação. Ela nos lembra que não controlamos todas as situações, não temos todas as informações e não conseguimos garantir o resultado dos acontecimentos.


“A ansiedade nunca fortalece você para o amanhã; ela apenas o enfraquece para o dia de hoje.”

John Blanchard, 1932-2021


Essa percepção pode nos conduzir a uma dependência mais profunda de Deus.


Em 2 Coríntios 1.9, Paulo já havia declarado


De fato, já tínhamos sobre nós a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos.

(2Co 1.9)


Essa é uma das grandes lições da escola da aflição: a matemática da fidelidade de Deus nem sempre faz sentido para nossa compreensão limitada, porém sua soberania continua governando todas as coisas.


Talvez hoje exista alguma situação em sua vida que esteja roubando seu sossego. Uma resposta que não chega, um exame cujo resultado você aguarda, uma dificuldade familiar ou uma decisão que precisa tomar.


Você não precisa fingir que nada disso o preocupa. Pode apresentar seu coração ao Senhor com sinceridade. Pode reconhecer seus temores e pedir que sua Palavra oriente seus pensamentos e decisões.


O problema maior não é experimentar momentos de ansiedade; é permitir que ela assuma o governo de nossa vida, ocupando o lugar da confiança em Deus.


Paulo deixou Trôade e seguiu para a Macedônia. Mais tarde, encontrou Tito e recebeu o consolo que tanto desejava. Durante todo aquele período, mesmo sem conhecer o desfecho, sua vida permanecia nas mãos do Senhor.


A vida cristã madura não é a ausência de inquietação, mas a transparência de levá-la à luz da soberania de Deus.


Hoje, entregue ao Senhor aquilo que você ainda não consegue compreender. O coração pode estar aflito, porém o trono de Deus continua firme.


Para refletir: Tenho levado minhas preocupações sinceramente a Deus ou tentado escondê-las atrás de uma aparência de tranquilidade espiritual?


<<< continua >>>

 
 
 

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