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A FRAQUEZA É O CAMINHO - parte 1 de 4

  • Foto do escritor: Luiz Fernando Arêas
    Luiz Fernando Arêas
  • há 19 horas
  • 3 min de leitura

Bom dia.




Vivemos numa sociedade apaixonada pela força.


Desde cedo aprendemos que precisamos ser fortes. Precisamos demonstrar segurança, competência, capacidade. No trabalho, ninguém quer parecer incapaz. As redes sociais mostram nossas conquistas, nossas viagens, nossas vitórias. Até na vida cristã podemos cair nessa armadilha.


Queremos parecer espiritualmente fortes. Queremos ser aqueles que têm respostas, que vencem as dificuldades, que permanecem firmes, que não se abalam. E, por isso, frequentemente fazemos todo o possível para esconder nossas fraquezas. Mas o texto de hoje apresenta uma lógica completamente diferente.


Paulo diz:


“Pois, quando sou fraco, é que sou forte.”

(2Coríntios 12.10)


À primeira vista, essa frase parece contraditória. Como alguém pode ser fraco e forte ao mesmo tempo? A resposta está no verso anterior:


“Minha graça é suficiente a você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.”

(2Coríntios 12.9)


Palavras de Jesus para Paulo. E essa talvez seja uma das maiores lições que precisamos aprender na caminhada cristã:


Nossa fraqueza não é necessariamente um obstáculo para o poder de Deus. Muitas vezes, ela é exatamente o caminho pelo qual experimentamos esse poder.

Paulo precisou aprender isso. E Deus lhe ensinou essa verdade depois de uma das experiências espirituais mais extraordinárias que alguém poderia ter.


Vamos dividir essa reflexão em quatro movimentos que o texto apresenta.


1. AS ALTURAS — O PERIGO DE ACREDITARMOS QUE SOMOS FORTES


Paulo começa dizendo:


“É necessário que eu continue a gloriar-me com isso. Embora eu não ganhe nada com isso, passarei às visões e revelações do Senhor.”

(2Coríntios 12.1)


Precisamos entender um pouco o contexto. Paulo está defendendo seu ministério.


Havia chegado à igreja de Corinto um grupo de pessoas que Paulo chama ironicamente de “superapóstolos” (2Co 11.5, 12.11). Eram homens que impressionavam. Falavam de suas experiências, de suas credenciais, de suas realizações. E, comparado a eles, Paulo parecia fraco. Por isso Paulo faz algo que detesta fazer: começa a falar de suas próprias credenciais.


Mas quando chega às experiências espirituais, acontece algo curioso. Ele diz:


“Conheço um homem em Cristo que, há 14 anos, foi arrebatado ao terceiro céu.”

(2Coríntios 12.2)


Esse homem era o próprio Paulo. Mas ele fala assim, como se dissesse: “Não quero que vocês olhem para mim por causa disso.”


E existe outro detalhe impressionante. Isso havia acontecido 14 anos antes. Paulo teve uma das maiores experiências espirituais de que temos notícia e ficou praticamente 14 anos sem falar sobre ela. Isso mostra como ele não queria fundamentar sua autoridade em experiências espirituais privadas.


Pense bem. Paulo diz que foi arrebatado ao terceiro céu, ao paraíso. Ouviu coisas que não poderiam ser expressas. Esteve diante de realidades que nós nem conseguimos imaginar. E voltou.


Se isso acontecesse hoje, talvez em poucas semanas tivéssemos:


“Minha experiência no terceiro céu, o livro.” Depois: “O terceiro céu, a conferência.” Depois: “O terceiro céu, o podcast”.


Paulo ficou calado. Porque ele sabia que experiências espirituais extraordinárias podem alimentar algo extremamente perigoso: o orgulho espiritual. E então chegamos ao verso 7:


“Portanto, para evitar que eu me tornasse arrogante, foi-me dado um espinho na carne...”

(2Coríntios 12.7)


Veja bem. Paulo foi levado às alturas. E depois recebeu um espinho. As duas coisas estão relacionadas. Deus lhe deu uma experiência extraordinária. Mas Deus também permitiu uma fraqueza extraordinária.


Vemos algo semelhante em Gênesis 32, quando Jacó passa a noite lutando com um homem. Aos poucos o texto revela que esse home é o Anjo do Senhor. O profeta Oseias diz claramente que era o próprio Deus (Oseias 12.3–5). Jacó sai desse encontro mancando, pois o homem "na articulação da coxa de Jacó, de forma que lhe deslocou a coxa, enquanto lutava".


Por que Paulo recebe esse espinho? “Para impedir que eu me exaltasse”. Há algo aqui que precisamos ouvir. Deus está muito mais interessado em nosso caráter do que em nossa sensação de força.


Às vezes pensamos: “Se Deus me ama, por que permite isso?” Mas talvez uma pergunta melhor seja: “O que Deus está produzindo em mim através disso?” Talvez algumas das coisas que mais gostaríamos que Deus retirasse sejam justamente instrumentos que ele está usando para nos manter perto dele.


Porque existe uma doença espiritual muito perigosa chamada autossuficiência. É quando começamos a pensar: “Eu consigo”. “Eu sei”. “Eu tenho experiência”. “Eu já passei por isso”. “Eu tenho capacidade”. E pouco a pouco podemos continuar fazendo coisas para Deus sem perceber que estamos dependendo cada vez menos de Deus.


Paulo poderia dizer: “Eu vi o paraíso”. Deus lhe deu algo que continuamente lhe lembrava: “Mas você ainda precisa de mim.


Todos os gigantes de Deus foram homens fracos que fizeram grandes coisas para Deus porque se basearam na presença divina com eles.

J. Hudson Taylor, 1832-1905


>>> continua <<<


 
 
 

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