• Luiz Fernando Arêas

O CARINHO DE JESUS NO NOSSO ROSTO

Bom dia.


Leia Apocalipse 1.9-18


John Piper escreveu: “livros não mudam pessoas; parágrafos, sim. Às vezes, até sentenças”.

Concordo com ele. Há alguns textos bíblicos que me são especiais, pois causaram grande impacto no meu coração, chegando em momentos difíceis, de tribulações e fragilidade. Eles trouxeram a mensagem divina que eu precisava ouvir naquele exato momento. Foi o que fizeram essas palavras tranquilizadoras de Jesus ao apóstolo João na ilha de Patmos:

“Não tenha medo! Eu sou o Primeiro e o Último. Sou aquele que vive. Estive morto, mas agora vivo para todo o sempre! E tenho as chaves da morte e do mundo dos mortos.” (Apocalipse 1.17b,18)

João estava exilado em Patmos, uma ilha prisão, “por pregar a palavra de Deus e testemunhar a respeito de Jesus”. Ele escreve aos irmãos das sete igrejas da província da Ásia se apresentando como “irmão e companheiro no sofrimento, no reino e na perseverança para a qual Jesus nos chama”. O discípulo amado vivia num tempo de lutas e privações, a cruel realidade de Patmos.


Há várias formas de permitirmos que as circunstâncias nos derrotem. Podemos fazer isso nos entregando à autopiedade: “Por que comigo?” Ou nos rendendo ao desencorajamento: “Por que continuar?” Podemos ainda nos tornarmos irritadiços, amargos ou cínicos nas privações.


Como João reagiu a Patmos? Essa é a pergunta mais importante que podemos fazer sobre ele. E também a questão mais importante que podemos fazer sobre nós mesmos. Nossas circunstâncias, sejam elas quais forem, podem ser muito importantes. Mas a questão de suprema importância não é quão terríveis elas são, mas como reagimos a elas.


As tribulações são, na maior parte das vezes, ferramentas com as quais Deus nos molda para coisas melhores.
Henry Ward Beecher, 1813-1887

Como João reagiu a Patmos? Ele não deixou que Patmos o dominasse. João recusou se render à prisão. Patmos era real. Seu sofrimento era verdadeiro. Como ele resistiu? Veja estas palavras de Clovis Chappell, 1882-1972 sobre essa passagem:

“Eu estou em Patmos”, ele diz. “Mas Patmos não está em mim!” Ele entrou em Patmos, mas Patmos não entrou nele!

O cristão precisa cultivar uma espiritualidade equilibrada, com os olhos fitos nos céus e os pés firmados na terra. Se ele se desconecta da terra e vive apenas voltado para o céu, se torna um alienado, um fanático. Se ele tira os olhos dos céus e os coloca apenas na terra, então ele se torna um materialista, um cristão morno, um hipócrita. João é exemplo da espiritualidade sadia equilibrada. Ele não nega Patmos nem tira os olhos de Deus.


Então Jesus Cristo glorificado aparece a João para dizer as palavras que ele e nós precisamos tanto ouvir quando as dificuldades chegam: “Não tenha medo! Eu sou o Primeiro e o Último. Sou aquele que vive. Estive morto, mas agora vivo para todo o sempre! E tenho as chaves da morte e do mundo dos mortos.”


  • "Sou o Primeiro e o Último". Não há nada que escape dessa amplitude, nada.

  • "Sou aquele que vive. Estive morto, mas agora vivo para todo o sempre!". Mesmo quando tudo parecia ter dado errado, mesmo quando Jesus morreu, nem assim a situação saiu de controle. Aquela tumba não conseguiu detê-lo. Ele ressuscitou, está vivo, soberanamente vivo sobre vivos e mortos, sobre céu, terra e inferno, sobre todos os nossos problemas, sobre nossas Patmos. Apesar de tudo, tudo sob controle.

Vejo essa passagem como um carinho de Jesus no rosto de João, num momento de grande necessidade.


O filme Ben-Hur, de 1959, vencedor de vários Oscar, estrelado por Chalrton Heston, 1923-2008, tem uma cena memorável. A história (fictícia) se passa no tempo de Jesus. Soldados romanos estão levando por quilômetros vários escravos acorrentados. Entre eles está Ben-Hur, e estão passando por uma aldeia onde Jesus está. Os soldados romanos não permitem que Ben-Hur beba água, apesar do cansaço e da sede.


Jesus, com seu jeito pacífico, dá água a Ben-Hur, passa a mão em seu rosto, olha nos seus olhos, apesar do seu rosto não mostrado. Ben-Hur sai dali revigorado. Ele continua escravo, prisioneiro acorrentado, mas seu olhar é diferente. Deus o visitara.

Que possamos sentir o carinho de Jesus nas nossas lutas. Que seu carinhoso toque nos afague nesses tempos difíceis de pandemia.

Os sofrimentos não passam de pequenas lascas da cruz.

Joseph Church

23 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo