• Luiz Fernando Arêas

LAODICEIA - A IGREJA INDIGESTA

Bom dia.


Leia Apocalipse 3.14-22



As sete cartas de Jesus às Igrejas do Apocalipse terminam de maneira retumbante. Após a carta a Filadélfia, seria de se esperar que a última carta fosse igualmente positiva. Todavia, nos deparamos com uma Igreja que vivia uma grande ilusão, uma espécie de realidade paralela e que recebeu a pior mensagem das sete.


A Bíblia fala de um "profeta indigesto" (Jonas, que foi vomitado pelo grande peixe), e de uma "igreja indigesta", Laodiceia, que estava a ponto de ser vomitada pelo próprio Senhor Jesus, o dono dela.


Laodiceia era uma cidade próspera. Era a central bancária da região e tinha até escola de medicina. Fabricava medicamentos, entre eles, um pó para curar problemas nos olhos. Não tinha suprimento de água, mas tinha aquedutos. e a história conta que ela não quis a ajuda de Roma para reconstruir a cidade após um terremoto. Sem dúvida todo esse contexto social e político influenciava a igreja local.


Para o pastor e os membros e Laodiceia a Igreja ia muito bem:

Você diz: ‘Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada’.

(Ap. 3.17)


Parece que a tesouraria da Igreja não tinha do que reclamar. Laodiceia era uma igreja financeiramente abastada.


Certamente isso gerava um sentimento de autossuficiência, a palavra-chave aqui.


"Não reconhece, porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego, e que está nu."

(Ap 3.17)


Jesus repreende severamente a complacência e a indiferença entre seu povo. A autossuficiência orgulhosa e o materialismo cegam uma pessoa para sua pobreza espiritual.


John Stott observa:

"Eles são mendigos porque não têm nada com que comprar seu perdão ou uma entrada no Reino de Deus. Eles estão nus porque não têm roupas que os ajustem. Eles são cegos porque não têm ideia de sua pobreza espiritual ou de seu perigo espiritual."

Quando chegamos em casa com um carro cheio de mantimentos, pode ser que esse indigesto sentimento queira brotar dentro de nós. Não o permitamos!


Ao olharmos para a oração modelo, o "Pai nosso", vemos que nosso Senhor nos ensinou a orar diariamente pelo "pão nosso de cada dia", a rogar diariamente para que o Pai nos desse. É ele nosso provedor, não o nosso emprego, cartão ou dinheiro. Isso tudo são meios, ferramentas, veículos da graça e da provisão divina para nós.


A suficiência dos meus méritos está em saber que meus méritos não são suficientes.

Agostinho, 354-430


Cristo repreende sua igreja por sua patética autossuficiência e os exorta a se arrependerem e abrirem seus corações a ele para uma comunhão restaurada e uma participação em sua vitória e autoridade.


“Repreendo e disciplino aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se. Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo.”

(Ap 3.19.20)


Que quadro. Do lado de dentro da porta da igreja, uma igreja orgulhosa, ferida de cegueira espiritual por causa de sua autossuficiência; do outro lado da porta, "fora da igreja", está Jesus, batendo à porta, com a mensagem: "Abra a porta, Laodiceia. Arrependa-se. Eu amo você!" Jesus a disciplina justamente porque a ama.


Apesar do caixa da igreja, uma situação miserável. Mas apesar de terem recebido a pior mensagem, há esperança.


Jesus repreende e disciplina seu povo precisamente porque ele os ama. Para experimentar uma comunhão renovada com Jesus, os crentes devem ser sérios o suficiente para mudar. para ele.


Algumas vezes penso que a própria essência de toda a posição cristã e o segredo de uma vida espiritual de êxito estão em reconhecer apenas duas coisas: preciso ter confiança completa e absoluta em Deus e nenhuma confiança em mim mesmo.

D. Martyn Lloyd-Jones, 1899-1981


Que a autossuficiência jamais encontre espaço em nossas vidas.

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