EM BUSCA DE SENTIDO, 1 de 3

Bom dia.
Leia Eclesiastes 3.1-11

TODOS PRECISAMOS DE UM SENTIDO PARA VIVER
Você conhece ou já conheceu uma pessoa azeda? Uma pessoa que parece estar sempre mal-humorada, de mal com a vida, desanimada, cínica, amarga?
Realmente, essas pessoas não são as mais fáceis de lidar. É preciso perseverança para conviver com alguém assim. Mas, se você perseverar nessa convivência, pode se surpreender e descobrir que pessoas amargas também têm um lado de doçura.
Conheço uma pessoa assim. Brigada com a vida, às vezes praguejando. Um olhar sempre tenso, duro. Mas, com o tempo (e uma boa dose de paciência), acabei descobrindo que essa pessoa é capaz de gestos de gentileza. Por debaixo daquela “casca dura” há também um pouco de doçura.
Essa poderia ser a definição do autor do livro de Eclesiastes. Esse é um livro singular das Escrituras. Pertence ao grupo chamado “livros de sabedoria”, juntamente com Jó, Salmos, Provérbios e Cântico dos Cânticos.
Alguns teólogos dizem que nenhum outro livro da Bíblia é de leitura tão difícil quanto Eclesiastes. Outros afirmam que ele é um livro chocante, mas que parece ter sido escrito com o nosso tempo em mente.
Eclesiastes me lembra uma série de televisão chamada Lost e um filme chamado O Sexto Sentido. Você só vai compreender a narrativa toda se chegar ao final dela. Creio que esse livro deveria ter um rótulo assim: “Manuseie com cuidado! Leia o livro até o fim, senão não o compreenderá”.
O autor vai variando um tom provocador de cinismo, amargura e ironia. Por vezes, acentua o lado negativo da vida de tal forma que parece contradizer o restante da Bíblia.
O professor Isaque Sicsú o chama de um livro “agridoce”, pois contém um sabor azedo, mas também termina com doçura. Por isso, se você começar a ler o livro e não o terminar, ele poderá “azedar” o seu dia!
O texto inicia assim:
“Palavra do Pregador, filho de Davi, rei de Jerusalém: Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade. Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?”
(Ec 1.1–3)
O Pregador, chamado em hebraico Qohelet, inicia sua narrativa com questionamentos filosóficos:
Alguma coisa faz sentido nesta vida? Vale a pena viver?
Talvez conheçamos pessoas com essas dúvidas. Talvez nós mesmos já tenhamos feito essas perguntas. “Vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.”
Essa importante palavra temática ocorre com frequência ao longo do livro. A palavra hebraica traduzida por “vaidade” transmite a ideia de sopro, vapor, algo breve e passageiro.
O pregador observa os ciclos intermináveis da natureza e a experiência humana. O sol nasce e se põe todos os dias. O vento vai e volta. Os rios correm para o mar, mas o mar nunca se enche. É como se ele perguntasse: “E daí?”
Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir. Tudo parece repetitivo e cansativo.
E então encontramos uma expressão importante: “debaixo do sol”. Ela aparece repetidamente em Eclesiastes e descreve a vida como percebida pela mera observação humana, sem considerar a revelação de Deus.
O pregador está olhando para a existência de uma perspectiva terrena. Se os prazeres e as conquistas são passageiros, se tudo termina, se a natureza repete indefinidamente seus ciclos, existe algum significado para a vida humana? Sim, existe. Mas precisamos chegar ao final do livro para encontrar a resposta.
O título desta reflexão é emprestado de um livro de Viktor Frankl, 1905-1997, sobrevivente dos campos de concentração nazistas. Ele escreveu sobre a importância de encontrar um propósito para viver, mesmo nas circunstâncias mais terríveis.
O ser humano precisa de significado. Não basta apenas existir, trabalhar, consumir e repetir os mesmos ciclos.
A vida debaixo do sol só vale a pena ser vivida plenamente quando é vivida com Aquele que está acima do sol, que é maior que o sol.
O sentido da vida não pode ser encontrado apenas nas coisas passageiras. Precisamos olhar para além delas.
Para refletir: Tenho vivido apenas repetindo os ciclos da existência ou tenho encontrado em Deus um propósito verdadeiro para minha vida?
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