• Luiz Fernando Arêas

CERCAS SAGRADAS, parte 1 de 2

Bom dia.


Leia João 15.1-8

O texto de hoje é bem conhecido de todos. Jesus diz que é a Videira Verdadeira.


Sete vezes, no evangelho de João, Jesus diz "EU SOU...": o Pão da Vida; a Luz do Mundo; a Porta; o Bom Pastor; o Caminho, a Verdade e a Vida; a Ressurreição e a Vida. O último dos sete ditos "EU SOU" é justamente a videira verdadeira.


Há várias passagens do Antigo Testamento que se referem a Israel como "a videira". Quando essa figura de linguagem é usada, com frequência é para mostrar que Israel está, de alguma maneira, em falta, por exemplo, Jeremias 2.21. Jesus, no entanto, é “a videira verdadeira”. Onde Israel falhou em ser bênção, Jesus cumpriu. Aqui, ao invés de Israel ser a videira, Jesus aplica a ideia a si mesmo, e seus discípulos são os ramos.

O PROPÓSITO DE DEUS

O propósito de Deus é que seu povo frutifique, do mesmo modo que é função da videira produzir uvas. O tempo presente dos verbos enfatiza o processo contínuo da produção de frutos. E produzir frutos é uma descrição familiar do cristão fiel nas cartas de Paulo:

Assim, meus irmãos, vocês morreram para o poder da lei quando morreram com Cristo, e agora estão unidos com aquele que foi ressuscitado dos mortos. Como resultado, podemos produzir uma colheita de boas obras para Deus. (Romanos 7.4)
Então vocês viverão de modo a sempre honrar e agradar ao Senhor, dando todo tipo de bom fruto e aprendendo a conhecer a Deus cada vez mais. (Colossenses 1.10)

QUAIS SÃO OS SEGREDOS DA VIDEIRA FRUTÍFERA?

Apontaremos dois deles no texto de João. O primeiro neste post, o segundo na continuação.


O primeiro segredo é a poda (limpeza) da planta.

Deus é um jardineiro incansável, podando todo ramo que dá fruto para que ele frutifique ainda mais.

Martinho Lutero e John Stott pensam que essa poda é uma ilustração do sofrimento e trata-se de um processo drástico.

Videiras podem crescer e produzir muitos frutos somente com o cuidado do agricultor.

Cristo deseja nos ensinar a olharmos as aflições e o sofrimento de maneira diferente da que nós o encaramos.


O arbusto é cortado geralmente no outono, o que, para os leigos, parece extremamente cruel. Às vezes resta apenas um toco — nu, cerrado, marcado e mutilado — mas quando a primavera e o verão retornam, os frutos aparecem em abundância.

A poda (o sofrimento) não ocorre de modo alheio à vontade de Deus. O sofrimento não é sinal da ira, mas da misericórdia de Deus e do seu amor paternal. Ele serve para o melhor (Romanos 8.28,29).


Já imaginou se a videira pudesse falar com o agricultor? Se ela pudesse ver o agricultor cortando ao redor de suas raízes com uma enxada? E se ela pudesse ver o agricultor aparando seus galhos com uma faca? Diante disso tudo, ela poderia dizer:


“Oh, o que você está fazendo? Agora eu vou murchar e deteriorar porque você está trabalhando em mim, tirando-me o solo e arranhando-me com esses dentes de ferro. Você está me ferindo e me beliscando por todos os lados, deixando-me quase nua. Você é mais cruel comigo do que com as outras plantas.”


Contudo, a faca dolorosa da poda está em mãos seguras. Alguma forma de sofrimento é praticamente indispensável à santidade. Nesse diálogo imaginário, o agricultor replicaria:


Você simplesmente não compreende. Se eu corto um galho, é porque se trata de um galho inútil, que tira a sua força e esgota a sua seiva. Os outros galhos não poderão produzir frutos e começarão a definhar. O que faço é para seu próprio bem. Estou fazendo isso para que você dê mais frutos.”


A poda é dolorida. Todavia, necessária para nosso crescimento e frutificação.

Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos. (Salmo 119.71)

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