• Luiz Fernando Arêas

ABRAÃO 13 - AGORA SEI QUE TEMES A DEUS - parte 1 de 3

Bom dia.


Leia Gênesis 22.1-19

Esta passagem é um clássico da Bíblia, retratada por diversos artistas ao longo dos séculos. Digite "Genesis 22 Abraham" no Google, e veja quadros e esculturas retratando a cena de Abraão oferecendo Isaque em sacrifício. Algumas dessas obras datam do século VI a. C.


Atingimos o ponto culminante da jornada espiritual de Abraão, sua passagem mais conhecida e impactante, quando Deus o prova, ordenando-lhe que entregue o que tem de mais caro.


O texto é uma obra prima da narrativa. Ele vai envolvendo o leitor num suspense crescente, Do ponto de vista das experiências humanas, é de uma força enorme para Abraão e Isaque. Do ponto de vista teológico, ele é a expressão da graça de Deus.


Há vários aspectos nesta passagem que nos impressionam.


O primeiro deles é a ordem de Deus e a ênfase desta ordem, mandar Abraão oferecer o filho em sacrifício.


O que que é isso?! Isso era algo comum nos povos vizinhos que adoravam a outros deuses. Mas Abraão sabe que o Senhor e aqueles deuses são muito diferentes. No entanto, a ênfase quádrupla da ordem é enorme:

"Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você tanto ama..."

..."e vá à terra de Moriá. Lá, em um dos montes que eu lhe mostrarei, ofereça-o como holocausto. (Gênesis 22.2)


"Quem lê a história de Abraão pela primeira vez e chega nessa passagem é, sem dúvida, visitado pela perplexidade: "Como assim?". Deus lhe diz simplesmente para sacrificar Isaque como holocausto, ou seja, matá-lo e queimá-lo até não sobrar nada. Teria o Deus de Abraão se tornado como os deuses cananeus, que apreciavam sacrifícios humanos, especialmente de filhos, como o deus Moloque?


O verso 3 começa com "Na manhã seguinte...". Como deve ter sido a noite de Abraão? O texto não dá detalhes dos pensamentos e sentimentos que invadiram o coração do patriarca. Como pais e mães, trememos só de imaginar estarmos no lugar dele. Ele não apenas teria que abrir mão do seu filho único, prometido por Deus e aguardado 25 anos por ele e Sara, mas teria que matá-lo, oferecendo-o em holocausto.


O segundo aspecto que impressiona na passagem é a prontidão do patriarca em obedecer à ordem de Deus.


Ele não retruca, e não fala para Deus que o Deus dele jamais pediria uma coisa dessas. Não. Ele escuta atentamente e obedece sem questionar. Levanta-se de madrugada. Antes do sol nascer, ele já está de pé, tomando todas as providências necessárias. A pronta obediência deste homem nos impressiona.


Onde está o Abraão "negociante" e intercessor de Gênesis 18, passagem de quando intercede insistentemente por Ló, seus familiares e Sodoma? (ver ABRAÃO 10 - O INTERCESSOR E O JUIZ) Não. Abraão não é o mesmo. Mudou. Amadureceu. Aprendeu a confiar em Deus. E a ordem foi tão clara que ele sequer contra-argumenta. Emudece e obedece.


Cedo Abraão se levanta e toma todas as providências para cumprir o que lhe fora ordenado pelo Altíssimo. Embora tenha centenas de empregados, ele mesmo prepara o jumento e vai cortar a lenha para o fogo do holocausto. A jornada se inicia. Três longos dias, uma caminhada de 100 quilômetros até Moriá.



O terceiro aspecto que impressiona neste texto é a fé resoluta de Abraão, de que ele e o filho retornariam vivos desse sacrifício.


Sua fé é demonstrada na afirmação que ele faz aos seus empregados:

Disse ele a seus servos: “Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o rapaz vamos até lá. Depois de adorarmos, voltaremos”.

O autor da carta aos hebreus nos dá preciosas informações que o texto de Gênesis não menciona:

17 Pela fé, Abraão, ao ser posto à prova, ofereceu Isaque como sacrifício. Abraão, que havia recebido as promessas, estava disposto a sacrificar seu único filho, 18 embora Deus lhe tivesse dito: “Isaque é o filho de quem depende sua descendência”. 19 Concluiu que, se Isaque morresse, Deus tinha poder para trazê-lo de volta à vida. E, em certo sentido, recebeu seu filho de volta dos mortos.

(Hebreus 11.17-19)


Uma ordem assombrosa.


Uma obediência impressionante.


Abraão obedeceu prontamente porque ele se concentrou nas promessas, não nas explicações que não recebeu.


Com frequência não entendemos os porquês do Senhor. Frequentemente, a maneira e o tempo de Deus agir nos surpreendem, e não entendemos por que Ele age assim. Contudo, na Bíblia não está escrito: "Obedeça ao Senhor somente se entender os motivos dele". Ao contrário, vejamos as preciosas palavras do profeta Samuel ao desobediente Saul:

O que agrada mais ao SENHOR: holocaustos e sacrifícios ou obediência à voz dele? Ouça! A obediência é melhor que o sacrifício, e a submissão é melhor que ofertas de gordura de carneiros.

(1Samuel 15.22)


Abraão, o pai dos que tem fé” (Romanos 4.11,16; Gálatas 3.7), obedece, mesmo sem compreender os porquês do Senhor.


Uma possível interpretação é que Isaque estava ocupando um lugar indevido no coração de Abraão. O primeiro lugar, que é devido a Deus somente.


Podemos pegar algo bom que Deus nos deu e fazer disso um ídolo.

Os filhos são um presente do SENHOR, uma recompensa que ele dá. (Salmo 127.3), bênçãos do Senhor (Salmo 128.3), mas nem nada ou ninguém, nem mesmo eles. pode ocupar o lugar que é devido somente a Deus. Isso é idolatria.

37 “Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim não é digno de mim; e quem ama seu filho ou sua filha mais que a mim não é digno de mim. 38 Quem se recusa a tomar sua cruz e me seguir não é digno de mim. 39 Quem se apegar à própria vida a perderá; mas quem abrir mão de sua vida por minha causa a encontrará.

Mateus (10.37-39)


Se a ordem de Deus impressiona, também impressiona a pronta obediência de Abraão. Prontamente, ele obedece e toma as providências, sem questionar nem delegar tarefas. Deus ordenou, ele obedeceu.


Para refletirmos

  • Temos obedecido a Deus e seus mandamentos, mesmo quando não compreendemos a vontade do Senhor?

  • Há algo (sonho, carreira, trabalho, dinheiro) ou alguém (família, casamento, filhos) que está ocupando em nosso coração o lugar que é devido apenas a Deus?


A maior prova de nosso amor a Cristo é a obediência às leis de Cristo. 
O amor é a raiz; a obediência é o fruto.
Matthew Henry, 1662-1714
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