• Luiz Fernando Arêas

ÉFESO, A IGREJA FRIA

Bom dia.


Leia Apocalipse 2.1-7


O que Jesus pensa da Sua Igreja?

O livro do Apocalipse foi inicialmente uma carta enviada a sete igrejas da província romana da Ásia. Cada uma delas recebeu sua cópia; Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.


Essas igrejas foram históricas, existiram no tempo. Juntas, de certa forma, elas representam a Igreja do Senhor. Por isso, de tempos em tempos, todas as sete mensagens devem ser estudadas pela Igreja de Cristo. Elas têm muito a nos ensinar, muitas das suas lutas são nossas também. Elas apresentam pontos fracos que devem ser urgentemente corrigidos; pontos fortes nos quais devem perseverar; e verdades fundamentais das quais a Igreja se esquece muito facilmente.


Visitamos a primeiramente a igreja de Éfeso, que era uma grande cidade, com 250 mil pessoas. Centro comercial e religioso, o templo da deusa Ártemis (ou Diana) ficava lá (veja Atos 19). A cidade abrigava milhares de sacerdotes e sacerdotisas, muitas delas prostitutas cultuais.


É nesse contexto que que emerge a igreja de Éfeso, especialmente privilegiada por receber o maior número de cartas na Bíblia. Por ela passaram João, Paulo e Timóteo. Agora essa igreja recebe outra carta, e seu autor não é ninguém menos que seu próprio Dono, o Senhor Jesus.

“Sei de tudo que você faz. Vi seu trabalho árduo e sua perseverança, e sei que não tolera os perversos. Examinou as pretensões dos que se dizem apóstolos, mas não são, e descobriu que são mentirosos. Sofreu por meu nome com paciência, sem desistir." (Apocalipse 2.2,3)

O currículo inicial impressiona. Uma igreja operosa em obras e intolerante ao pecado, com zelo pela pureza doutrinária e perseverante no sofrimento. Todavia, Jesus tem mais a dizer:

“Contudo, tenho contra você uma queixa: você abandonou o amor que tinha no princípio." (Apocalipse 2.4)

Uma igreja intolerante ao pecado, com a agenda cheia de programações e eventos. Mas, em algum momento da sua trajetória, ela caiu numa rotina de trabalho, com cultos frios e pessoas geladas, afastando-se da verdadeira devoção.

Há quem passe pelo bosque e só veja lenha para queimar”  
Leon Tolstói, 1828-1910

Como é possível uma igreja esquecer o Amor? John Stott descreve assim sua triste situação:

“Eles deixaram as alturas iniciais de sua devoção e desceram à planície da mediocridade. Tornaram-se apóstatas. O amor é a primeira marca de uma igreja verdadeira e viva. A vida cristã é essencialmente uma relação de amor com Jesus Cristo.”

John Stott, 1921-2011


Assusta saber que é possível que uma igreja possa ficar dessa maneira. Éfeso, com toda sua fama, estrutura e agenda, perdeu a visão do amor. Uma igreja que começara pela graça, mas se tornara glacial.


Para Cristo, os critérios de avaliação de uma igreja bem-sucedida são diferentes dos nossos. Tamanho não é documento aqui. Agenda cheia, também não.

"Veja até onde você caiu! Arrependa-se e volte a praticar as obras que no início praticava. Do contrário, virei até você e tirarei seu candelabro de seu lugar entre as igrejas." (Apocalipse 2.5)

A igreja de Éfeso tem muito a nos ensinar. Vejamos alguns aspectos:

Lado positivo – Ela luta contra as heresias. Como os irmãos efésios, devemos ficar atentos aos falsos mestres e falsos ensinos, dentro e fora da igreja. Devemos aprender a zelar pela nossa ortodoxia, como faziam eles.


Lado negativo – Ela nos mostra a importância do nosso amor para com Deus e nossos irmãos. Como no relacionamento marido-mulher (Efésios 5.21-33), o que vale dizer que amamos a Deus quando Ele tem tão pouca prioridade na nossa vida?


Finalmente, a comunidade de Éfeso não está perdida. Ainda há esperança para ela. Existe o caminho de volta ao Amor, e a mão de Jesus estendida para conduzi-la por ele.


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