NAS TUAS MÃOS ENTREGO MEU ESPÍRITO, 2 de 3

Bom dia.
Leia Salmo 31.

Uma das características mais interessantes do Salmo 31 é sua alternância entre bons e maus momentos, entre a angústia e a confiança. Essa aparente “desorganização” do salmo reflete também as “desorganizações” da alma humana.
Nossas vidas são povoadas de bons e maus dias. Há dias em que estamos confiantes, animados e agradecidos. Em outros, sentimos que tudo está fora do lugar. As preocupações aumentam, as dificuldades se acumulam e aquilo que parecia seguro torna-se incerto.
Por isso, a segunda lição desse salmo é tão importante:
A única constante nas equações da vida é Deus.
A vida dá muitas voltas. As situações estão sempre mudando. Confie no Capitão do barco, não no tamanho das ondas.
O salmista escreveu:
“Nas tuas mãos, estão os meus dias; livra-me das mãos dos meus inimigos e dos meus perseguidores”
(Sl 31.15)
“Meus dias”, “meus tempos” ou "meu futuro" representam as mudanças pelas quais passamos durante nossa existência.
Parafraseando Eclesiastes 3, podemos afirmar que há tempos de alegria e tempos de tristeza; tempos de saúde e tempos de enfermidade; tempos de prosperidade e tempos de dificuldades; tempos em que nossos planos se realizam e tempos em que precisamos refazê-los.
Essas mudanças de estações têm suas vantagens. As circunstâncias mudam. E elas nos mudam também. Elas revelam diferentes aspectos do caráter do cristão, fortalecem nossa fé e nos levam a admirar um Deus que não muda.
O pastor John Maxwell conta uma história interessante sobre uma jovem que reclamou da vida para seu pai, dizendo como tudo estava difícil. A adversidade estava oprimindo aquela moça, e ela queria desistir.
Enquanto a ouvia, seu pai encheu três panelas com água e as colocou para ferver. Na primeira colocou cenouras; na segunda, ovos; na terceira, grãos de café. Depois de alguns minutos de fervura, colocou os alimentos diante da filha.
— O que você vê? — perguntou.
— Cenouras, ovos e café — respondeu ela.
O pai pediu que experimentasse as cenouras. Ela pegou um pedaço e o esmagou entre os dedos. Depois pediu que examinasse o ovo. Ao quebrar a casca, percebeu que estava cozido e endurecido por dentro. Finalmente, pediu que tomasse um gole de café. Ela sorriu ao provar seu sabor.
— O que significa isso? — perguntou a filha.
O pai explicou que todos haviam enfrentado a mesma situação: a água fervente. Mas cada um reagiu de maneira diferente. As cenouras eram duras e ficaram moles. O ovo era frágil, mas seu interior endureceu. Os grãos de café, por sua vez, transformaram a água e lhe deram sabor.
Então o pai perguntou:
— Qual deles é você? Quando enfrenta uma adversidade, como reage? É como a cenoura, como o ovo ou como os grãos de café?
A vida é povoada por adversidades, e muitas vezes não teremos como fugir delas. Podemos ser esmagados pelas dificuldades. Podemos permitir que elas endureçam nosso coração. Ou podemos aprender com elas e, pela graça de Deus, sair fortalecidos.
O salmista conhecia muito bem essa realidade. Observe o versículo 22:
“Eu disse na minha pressa: estou excluído da tua presença. Não obstante, ouviste a minha súplice voz, quando clamei por teu socorro”.
(Sl 31.22)
Cuidado com as palavras precipitadas! Em meio à angústia, Davi chegou a pensar que havia sido abandonado por Deus. Mas sua percepção não correspondia à realidade. O Senhor continuava ouvindo suas orações.
Quantas vezes fazemos a mesma coisa! Interpretamos a presença de Deus a partir das circunstâncias, esquecendo-nos de que sua fidelidade não depende da maneira como estamos nos sentindo.
O Salmo 31 nos ensina que as mudanças da vida estão debaixo do governo divino e que Deus sustenta seu povo durante essas mudanças.
Ele não promete que nossa jornada será livre de tempestades. Porém, promete que podemos confiar nele enquanto as atravessamos.
“Deus deve merecer nossa confiança quando sua providência parece correr em sentido contrário às suas promessas.”
Thomas Watson, 1620–1686
As ondas mudam, os ventos mudam, as estações mudam. Mas o Senhor permanece o mesmo. Por isso, não entregue sua paz ao controle das circunstâncias. Confie no Capitão do barco, não no tamanho das ondas.
Para refletir: Quando as circunstâncias mudam, minha confiança em Deus também muda? Tenho permitido que as adversidades me aproximem do Senhor ou endureçam meu coração?
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