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NAS TUAS MÃOS ENTREGO MEU ESPÍRITO, 1 de 3

Foto do escritor: Luiz Fernando Arêas
Luiz Fernando Arêas
há 10 horas
3 min de leitura

Bom dia.


Leia Salmo 31.



Em quais mãos tenho confiado minha vida?


O Salmo 31 é uma lição preciosa para todos nós quando passamos por momentos de crise extrema. Sabe por quê? Porque suas palavras foram utilizadas por diversos personagens bíblicos em situações de grande sofrimento.


Jonas, em sua oração dentro do grande peixe, fez uma declaração que lembra o versículo 6. Encontramos alusões a esse salmo em Jeremias e Lamentações. O escritor do Salmo 71, possivelmente o próprio Davi, começou sua oração com palavras semelhantes às dos primeiros versículos. E o Senhor Jesus citou o versículo 5 quando estava morrendo na cruz.


Estevão fez uma oração semelhante enquanto era apedrejado até a morte, confiante de que estava simplesmente passando do cuidado terreno de Deus para o cuidado eterno de Deus:


“Senhor Jesus, recebe o meu espírito!”

(Atos 7.59)


Há um aspecto incomum nesse salmo: duas vezes ele faz a viagem da angústia para a certeza. Primeiramente nos versículos 1–8 e depois nos versículos 9–24.


É difícil definir se isso indica uma nova crise de angústia, quando “as nuvens voltam depois da chuva”, uma experiência espiritual bastante comum, ou se a crise original está sendo relembrada e desenvolvida uma segunda vez, com maior profundidade.


O fato é que o salmista está passando por enormes dificuldades. Seu salmo brota em meio a um intenso sofrimento. Os versículos 9–13 descrevem uma angústia profunda, caracterizada por uma desesperada solidão.


Davi é desprezado por inimigos e vizinhos e evitado até mesmo por seus amigos mais próximos. Ele ouve ameaças por todos os lados. Está cercado por aqueles que procuram tirar sua vida.


É nesse contexto que encontramos uma das mais belas declarações de confiança das Escrituras:


“Nas tuas mãos entrego o meu espírito; tu me remiste, Senhor, Deus da verdade” (v. 5).

Isso nos leva a uma primeira reflexão:


Em quais mãos eu tenho confiado minha vida?


Nosso relacionamento com Deus exige uma entrega total a ele. Dizemos que temos fé em Deus, mas realmente confiamos nele? Qual é o tamanho da nossa fé? As palavras de Davi transmitem sua completa confiança no Senhor.


Jesus utilizou essa mesma frase enquanto estava morrendo na cruz, mostrando sua absoluta confiança em Deus Pai:


Então Jesus clamou em alta voz: “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito!”. E, com essas palavras, deu o último suspiro.

(Lc 23.46)


Que expressão maravilhosa! A morte não significava que ele estava sendo abandonado por Deus. Significava que estava sendo recebido em sua presença. É assim que devemos aprender a confiar no Senhor.


Devemos entregar nossas posses, nossas famílias, nossas vocações e nossas preocupações a Deus. Mas, antes de tudo, devemos nos comprometer completamente com ele. Muitas vezes entregamos algumas áreas da nossa vida ao Senhor, enquanto tentamos manter outras debaixo do nosso próprio controle.


Confiamos a Deus nossa salvação, mas queremos controlar nosso futuro. Pedimos sua proteção, mas vivemos dominados pelo medo. Oramos por nossas famílias, mas carregamos sozinhos o peso de todas as preocupações.


O primeiro dos dez mandamentos, “não terás outros deuses diante de mim”, começa com uma declaração fundamental:


“Eu sou o Senhor, teu Deus...”

(Êx 20.2)


Antes de nos ordenar qualquer coisa, Deus nos lembra quem ele é. Ele é o nosso Deus. Nosso abrigo em meio às tempestades da aflição. Davi sabia disso. Por essa razão, mesmo cercado por dificuldades, podia entregar sua vida nas mãos do Senhor.


Confiar em Deus não significa compreender tudo o que está acontecendo. Significa reconhecer que nossa vida está nas melhores mãos que existem. O salmista não conhecia todos os acontecimentos que o esperavam. Mas conhecia aquele a quem estava entregando seu espírito.


Não sei por quais caminhos Deus me conduz, mas conheço bem meu guia.

Martinho Lutero, 1483-1546


Nós também não sabemos tudo o que acontecerá amanhã. Mas podemos descansar porque conhecemos aquele que sustenta nosso amanhã.


Lembremo-nos de Jesus na cruz. Mesmo na hora mais terrível de seu sofrimento, ele confiou completamente no Pai. E nós, que pertencemos a Cristo, também podemos nos entregar às carinhosas mãos de Deus.


Para refletir: Em quais mãos tenho colocado minha segurança? Existe alguma área da minha vida que ainda não entreguei completamente ao Senhor?


<<< continua >>>



 
 
 

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