A FRAQUEZA É O CAMINHO - parte 4 de 4
- Luiz Fernando Arêas

- há 2 horas
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Bom dia.
Leia 2Coríntios 12.1-10

Prosseguimos com a série de reflexões "A FRAQUEZA É O CAMINHO".
1. AS ALTURAS — O PERIGO DE ACREDITARMOS QUE SOMOS FORTES
2. O ESPINHO — DEUS NEM SEMPRE REMOVE NOSSA FRAQUEZA
3. A GRAÇA — QUANDO O QUE DEUS NOS DÁ É MELHOR DO QUE AQUILO QUE PEDIMOS
Eis o quarto movimento:
4. O PODER — A FRAQUEZA É O CAMINHO
Cristo explica por que não retirará o espinho:
“...pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.”
(2Co 12.9)
Aqui chegamos ao paradoxo. Nós pensamos: fraqueza ou poder. Cristo diz: poder através da fraqueza. Nós pensamos que Deus nos usaria melhor se fôssemos mais fortes. Porém, Cristo diz que existe um poder que somente aprenderemos quando descobrirmos que somos fracos.
É exatamente o padrão que percorre a segunda carta aos coríntios. Paulo já havia dito:
“Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar que o poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós.”
(2Co 4.7)
Por que vasos de barro? Para ninguém confundir o vaso com o tesouro. Quando somos fortes demais aos nossos próprios olhos, existe sempre o perigo de recebermos o crédito por aquilo que Deus está fazendo.
Mas quando o vaso está claramente rachado e, mesmo assim, algo maravilhoso acontece, todos percebem: “Isso não veio do vaso.” Veio de Deus.
É por isso que a fraqueza é o caminho. Não porque a fraqueza tenha poder. Fraqueza não tem poder. Cristo tem. Mas a fraqueza nos faz renunciar à ilusão de que o poder é nosso.
J. I. Packer entendeu profundamente essa verdade. Ele foi um dos grandes teólogos cristãos de sua geração. Já idoso, ao falar sobre fraqueza, contou algo de sua infância. Quando tinha sete anos, foi perseguido por outro menino, correu para a rua e acabou atingido por um caminhão.
Ao recordar aquilo décadas depois, disse que provavelmente não usava essa palavra quando criança, mas sabia agora como havia se sentido: fraco. E no final da vida, já experimentando o desgaste da idade, sentia novamente sua fraqueza. Entre aquele menino fraco e aquele velho fraco havia uma vida inteira. Livros. Ministério. Ensino. Reconhecimento.
Mas Packer aprendera uma verdade: Deus não permite que permaneçamos presos à ilusão de que somos fortes. Ele desenvolveu posteriormente essa mesma ideia no livro Força na Fraqueza (no original Weakness is the way - de onde emprestei o título dessa série):
Maturidade cristã não significa tornar-se cada vez menos consciente da necessidade de Cristo; significa aprender cada vez mais a apoiar-se nele.
J. I. Packer, 1926-2020
O cristão maduro não é aquele que diz: “Agora consigo sozinho.” É aquele que aprendeu: “Sem mim vocês não podem fazer coisa alguma.”
E veja a transformação em Paulo.
Antes:
“Três vezes roguei ao Senhor que o tirasse de mim.”
Depois:
“Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas.”
(2Co 12.9)
O espinho mudou? Não. Paulo mudou. Ele descobriu algo que valia mais do que a ausência do sofrimento: a presença do poder de Cristo.
E então Paulo chega àquela conclusão extraordinária:
“Pois, quando sou fraco é que sou forte.”
(2Co 12.10)
Agora entendemos.
Quando sou fraco em mim mesmo, posso ser forte nele.
Quando minhas próprias reservas acabam, descubro reservas que não são minhas.
Quando não consigo mais dizer “eu consigo”, finalmente aprendo a dizer: “A graça de Cristo é suficiente.”
A maturidade cristã é descobrir cada vez mais o quanto precisamos de Cristo.
>>> continua <<<



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