ARREPENDIMENTO SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS - parte 2 de 4

Bom dia.
Leia Salmo 51.3-6.

Anteriormente vimos que o verdadeiro arrependimento começa com o reconhecimento sincero da culpa (veja parte 1).
Mas existe um segundo passo. Ele pode ser doloroso, mas é absolutamente necessário: encarar honestamente o nosso pecado.
Davi diz:
“Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue.”
(Salmo 51.3)
Olhe o uso que Davi faz da primeira pessoa nos pronomes: eu, minhas, meu. “Eu reconheço.” “Minhas transgressões.” “Meu pecado.” Não há transferência de responsabilidade.
Ele poderia ter dado muitas explicações para o que havia acontecido. Poderia falar da solidão, das pressões do reinado, das circunstâncias, da tentação ou até mesmo de Bate-Seba. Mas Davi não faz isso.
Também não usa sua natureza pecaminosa como desculpa. No verso 5, ele reconhece que é pecador desde o nascimento. Entretanto, isso não significa: “Eu sou assim, portanto não tenho culpa.” É exatamente o contrário.
Davi percebe que seu problema é ainda mais profundo do que imaginava. O adultério e o assassinato não eram simplesmente acidentes isolados. Revelavam algo sobre o seu próprio coração.
Essa é uma das características mais difíceis do verdadeiro arrependimento: parar de racionalizar o pecado. Desde o princípio fazemos isso. Depois que Adão pecou, Deus lhe perguntou:
“Você comeu do fruto da árvore da qual o proibi de comer?”
(Gn 3.11)
Adão respondeu falando sobre “a mulher que me deste”. A culpa era dele, mas rapidamente apareceram outras pessoas na explicação, Eva e o próprio Deus...
Nós continuamos fazendo a mesma coisa. “Eu fiz isso porque ele me provocou.” “Falei daquela maneira porque estava nervoso.” “Tenho esse comportamento por causa da maneira como fui criado.” “Todo mundo faz.”
Circunstâncias podem ajudar a explicar nossas atitudes, mas explicação não é a mesma coisa que justificação. Davi finalmente chegou ao ponto em que conseguiu dizer: “Eu pequei.”
Há ainda uma frase surpreendente:
“Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas.”
(Sl 51,4)
Como Davi poderia dizer isso? Ele havia pecado contra Urias, contra Bate-Seba, contra sua família e contra a própria nação que governava.
Ele não está negando nada disso. Está chegando à raiz do problema. Todo pecado cometido contra uma pessoa é também uma afronta ao Deus daquela pessoa. John White observa que:
Deus era o Deus de Urias e de Bate-Seba. Portanto, ao desprezá-los, Davi desprezou também aquele que havia se declarado o Deus deles.
John White, 1924-2002
Isso muda nossa maneira de enxergar o pecado. A pergunta deixa de ser: “Alguém descobriu?” E passa a ser: “Como Deus vê isso?”
Podemos esconder coisas das pessoas, tentar preservar nossa reputação e até explicar nosso comportamento de uma maneira que nos faça parecer menos culpados. Mas não devemos fazer isso diante de Deus. E aqui encontramos novamente a beleza do Salmo 51.
O Deus diante de quem não podemos esconder nosso pecado é exatamente o Deus a quem podemos confessá-lo.
Não precisamos minimizar nossa culpa para aumentar nossa esperança. Nossa esperança não depende de o pecado ser pequeno, mas de a misericórdia de Deus ser grande.
O primeiro passo para a restauração é parar de racionalizar e apresentar honestamente a Deus aquilo que fizemos, confiando que sua misericórdia é maior do que nossa transgressão.
Davi descobriu que a confissão verdadeira não diz: “Senhor, eu errei, mas...” Ela simplesmente diz: “Senhor, eu pequei.” E justamente quando desaparecem nossas desculpas, começamos a descobrir a profundidade da graça.
Para refletir: Quando você confessa seus pecados a Deus, assume plenamente sua responsabilidade ou ainda acrescenta um “mas” depois da confissão?
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