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A VISITA GRACIOSA

  • Foto do escritor: Luiz Fernando Arêas
    Luiz Fernando Arêas
  • 3 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Bom dia.





Há anos, fomos passar alguns dias na roça, sul de Minas, com a família da minha esposa. Alugamos uma casa no vilarejo, a poucos metros da estrada de terra. O coração andava agitado com as demandas do trabalho e a visão do campo ia causando uma agradável desaceleração.


A esposa e o filho haviam ido à casa dos avós. Tudo ali era perto e, ao mesmo tempo, longe o suficiente. Eu estava sozinho na varanda, que dava de frente para a cozinha, e meu olhar alternava entre o livro que tinha em mãos e a bela paisagem. A casa era elevada, construída sobre o porão, que ficava no nível do chão. Ao lado havia um terreiro do tamanho de uma quadra de basquete. Entre ele e uma majestosa montanha, a estrada de terra traçava seu caminho, por onde quase ninguém passava.


Era um dezembro de clima abafado e chuvas abundantes. As árvores e o bambuzal no início da estrada manifestavam vida que se exibia em tons de verde. Meu coração batia mais calmo. Fiquei pensando, não com inveja, mas admiração, em como a gente de lá era abençoada.


Minha mulher havia deixado pão de queijo da tarde fazendo no forno e o pó do café pronto para receber a água quente.


Então começou a chover. Enquanto eu tirava as roupas do varal, sentia no rosto o hálito da terra quente reagindo ao carinho da chuva. O capim recendia aquele frescor que os perfumes tentam imitar.


Em pouco tempo a temperatura caiu alguns graus, deixando uma sensação de conforto.

A chuva afinou. Agora parecia um spray. Foi quando vi uma cena que, até hoje, visita minha alma.


Do lado esquerdo da minha vista, bem onde começava a visão da estrada, saiu de dentro do bambuzal uma garça voando sobre a estrada. A ave plainava sob a chuva batendo as asas de vez em quando, sem alterar a velocidade. Parece que ela sabia que ia chover, e estava esperando o momento certo para voar, espalhando graça no trajeto.


Garça. Estrada. Chuva. Graça.


A visão me cativou. Imaginei-me em seu lugar, pairando sobre aquela estrada, recebendo a chuva no rosto, experimentando o prazer daquela sensação de liberdade — outra batida de asas — contemplando o verde, sentindo os aromas do campo, cumprindo o papel traçado pelo Criador com alegria e formosura.


Meus olhos acompanharam a ave até ela sumir na outra ponta da estrada. Sumiu da vista, mas não da alma.


Fui visitado pela garça e pela graça.


Por vezes, os caminhos são abafados e a sucessão de lutas tornam o coração agitado e pesado. Mas a graça de Deus está em ação nesses tempos também. Ele manda chuva revigorante no tempo certo. Desacelera e irriga o coração.

 

Ah, como precisamos conhecer o SENHOR; busquemos conhecê-lo! Ele nos responderá, tão certo como chega o amanhecer ou vêm as chuvas da primavera.

(Oseias 6.3)

 

Também quero realizar com graça e alegria aquilo que o Amoroso Pai tem colocado em minhas mãos. Após a noite escura vem o amanhecer. Após o tempo abafado, ele manda chuva graciosa.


 Agradeci ao Senhor por essa visitação especial da sua graça. Agradeci também pelo pão de queijo e o café.

 

Como é precioso o teu amor, ó Deus! Toda a humanidade encontra abrigo à sombra de tuas asas.

(Salmo 36.7) 

 

O título desse texto quase foi A visita "garciosa".


Que você perceba a cada dia da sua vida a graça do Senhor em ação sobre você. 

 
 
 

1 comentário


Jean Sousa
Jean Sousa
03 de dez. de 2025

Amém

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