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A HUMILHAÇÃO DE CRISTO - parte 1 de 3

  • Foto do escritor: Luiz Fernando Arêas
    Luiz Fernando Arêas
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Bom dia.




A encarnação de Cristo é uma das doutrinas fundamentais do cristianismo.


Isso quer dizer que não é possível ser cristão sem crer na encarnação. Se não crermos na encarnação, não somos cristãos. É uma crença exclusiva da fé cristã, de que o Deus eterno e infinito tornou-se um ser humano em Jesus Cristo – um ser físico, limitado, vulnerável e mortal na história.


Essa passagem bem conhecida da carta de Paulo aos Filipenses fala da humilhação de Cristo. Em muitas traduções esse texto é colocado numa indentação de poesia, como nos salmos, porque, provavelmente era um hino antigo da igreja primitiva.


Mas Paulo não está simplesmente trazendo um ensino para a igreja ao falar da encarnação. Ele está usando a doutrina da encarnação para tratar de alguns problemas na igreja de Filipos que ele tanto ama. A carta é carinhosa, sincera. Mas quando a lemos como um todo, compreendemos que uma das preocupações do apóstolo é com a unidade da igreja.


Há uma discórdia, que vem sendo sutilmente tratada até ser finalmente exposta no capítulo 4, verso 2, entre duas preciosas irmãs da comunidade, Evódia e Síntique. E lembremos que a carta seria lida na igreja diante de todos.


O texto sobre a encarnação de Cristo é antecedido por este texto de expressões fortes que Paulo faz para fazer um apelo à unidade. Leiamos os versos 1 a 4.


1 Se por estarmos em Cristo nós temos alguma motivação, alguma exortação de amor, alguma comunhão no Espírito, alguma profunda afeição e compaixão, 2 completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude. 3 Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. 4 Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.

(Filipenses 2.1-4)


Motivação, exortação de amor, comunhão do Espírito, alguma profunda afeição e compaixão. Em outras palavras, alvos que parecem distantes de atingir, e que só são possíveis “em Cristo”.


Só os cristãos conseguem fluir esse amor abnegado porque o recebem de Cristo.

"Se por estarmos em Cristo": a expressão quer dizer: ser salvo, ser discípulo, querer crescer espiritualmente. Paulo está mostrando o caminho do crescimento espiritual. Ser igreja não é fácil. É conviver com pessoas que pensam diferente de nós. É muitas vezes ter que renunciar ao meu jeito de pensar. Por isso o salmista afirma:


“Como é bom quando os irmãos vivem em união!”

(Sl 133.1)


Um ditado judeu diz que onde há três rabinos conversando, há cinco opiniões diferentes! Esses irmãos do Salmo 133 são irmãos que estão priorizando a unidade ao invés das diferenças. Estão colocando seus interesses pessoais em segundo plano, em prol dos irmãos.


Aqui cabe muito bem uma frase de Agostinho, que descreve essa dinâmica do corpo de Cristo em vivermos juntos, apesar das nossas diferenças:


"No essencial, a unidade; na dúvida, a liberdade; em tudo, a caridade."

Agostinho, 354-430


No verso 2 lemos:

2 completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude.

É um apelo à unidade. Há problemas sérios na igreja e Paulo os trata com a doutrina da encarnação.


Ele não está dizendo: “esqueçam os problemas”, “ignorem os problemas”. Não, o que Paulo está dizendo é: “para aprender a lidar com essas diferenças de pensamento, olhem para Jesus, para o que ele fez.” Em outras palavras, olhem para o evangelho e tirem lições dele para suas vidas. Olhem para Jesus e superem as dificuldades de vocês.


>>> continua

 
 
 

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