• Luiz Fernando Arêas

OUTRA PÁSCOA NO EXÍLIO

Bom dia.


Leia Êxodo 12.1-13


Tal como no ano passado, passaremos mais uma páscoa exilados.


Ficaremos trancados e salvos do lado de dentro enquanto o "anjo da morte" passeia do lado de fora, fazendo vítimas, ceifando vidas.

Ao mesmo tempo, vivemos um tempo propício à reflexão. Um pensador escreveu que o coronavírus nos ajudou a pensar, pois temos que ficar em casa. Talvez nem tenhamos percebido que estamos próximos da Páscoa, mais uma bem diferente daquelas dos outros anos. Passaremos por ela "exilados em casa".


A primeira Páscoa também foi num exílio. No cardápio não constava a doçura do chocolate, mas a amargura de ervas. O animal em questão não era o coelho, mas o cordeiro.


Israel era escravo no Egito. Deus libertou seu povo através das dez pragas (sem trocadilho com a situação atual), sendo a última a matança de todos os primogênitos do Egito. Para escapar da execução, a família deveria sacrificar um cordeiro e colocar seu sangue nos umbrais da porta da casa. Na casa em que houvesse o sangue do cordeiro, Deus "pularia por cima", o significado da palavra páscoa:

Mas o sangue nos batentes das portas servirá de sinal e marcará as casas onde vocês estão. Quando eu vir o sangue, passarei por sobre aquela casa. E, quando eu ferir a terra do Egito, a praga de morte não os tocará. (Êxodo 12.13)

A Páscoa aponta para o Cordeiro de Deus que, pelo seu sangue, traria salvação. Por isso, a proximidade da Páscoa é tempo de trazer à lembrança a Paixão (sofrimento) do nosso Senhor Jesus Cristo.

O sofrimento se alastra. As notícias amedrontam. Incertezas pululam no coração. Jesus sofre no jardim das Oliveiras (Getsêmani). Essas horas de agonia antecederam a prisão, julgamento, tortura, crucificação e sua morte. Tudo em menos de vinte e quatro horas. Jesus sabe o que é sofrer e entende nosso sofrimento. Por isso, o autor de Hebreus escreve:

15 Nosso Sumo Sacerdote entende nossas fraquezas, pois enfrentou as mesmas tentações que nós, mas nunca pecou. 16 Assim, aproximemo-nos com toda confiança do trono da graça, onde receberemos misericórdia e encontraremos graça para nos ajudar quando for preciso. (Hebreus 4.15,16)

Nesses dias que antecedem a Páscoa, sugiro que você faça leituras diárias, individualmente ou em família, de textos alguns preciosos, como: Isaías 53 (o sofrimento de Cristo profetizado 700 anos antes do seu nascimento), Salmo 22 (o salmo da cruz), e as narrativas dos quatro evangelhos que tratam da Paixão.

Se abrirmos o coração ao sermos visitados por esses textos, colheremos várias bênçãos:

  • seremos constrangidos por tão grande amor sacrificial;

  • nosso coração se encherá de gratidão;

  • teremos uma perspectiva renovada de nossas vidas, à luz da cruz e da ressurreição;

  • enfrentaremos revigorados nossos problemas, porque Cristo sofreu infinitamente mais por nós;

  • olharemos com esperança para o futuro, porque ele voltará para nos buscar, e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram (Apocalipse 1.7).

“Na morte de Jesus Cristo, Deus humilhou a si mesmo e entregou a si mesmo, a fim de cumprir sua lei sobre todo homem pecador, assumindo seu lugar. Assim, de uma vez por todas, removeu do homem para si mesmo esta maldição que o afetou, a punição que o homem merecia, o passado que quer ver corrigido, o abandono no qual ele caiu.”

Karl Barth, 1886-1968 A Páscoa também aponta para esperança, para a ressurreição do Senhor Jesus no domingo. Nem a morte pode derrotá-lo.

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos (1Pedro 1.3)

Sejam nossos temores sejam dissipados por essa viva esperança.


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