QUANDO A FÉ ENTRENTA O FOGO - parte 4 de 4
- Luiz Fernando Arêas

- 21 de nov.
- 5 min de leitura
Bom dia.
Leia Daniel 3.1-30

Concluo com um relato sobre a provação da fé, extraído do livro ‘Seventy Years of Miracles’, de Richard Harvey, publicado numa antiga revista chamada "Mensagem da Cruz" dos anos 80.
Vale a leitura!
O FRASCO QUE NÃO SE QUEBROU
Alguns dias antes do feriado de Ação de Graças, o nosso professor de Química costumava fazer uma série de palestras contra a oração. Ele era tão sarcástico e zombador, que sempre provocava risos nos alunos.
Todos os anos, antes de encerrar a última preleção, ele dizia:
— A propósito, há algum aluno aqui que ainda acredita em oração? Antes que alguém se manifeste, deixem-me explicar-lhes o que vou fazer.
O chão da sala era de concreto. O Dr. Lee colocava-se à frente da mesa, depois virava-se, apanhava um frasco de vidro e erguia-o diante da classe. Então dizia:
— Agora, se alguém aqui acredita em oração, fique de pé e eu vou pedir-lhe que ore para que este frasco não se quebre, quando eu o deixar cair. Eu lhes garanto que nem as orações de vocês, nem de seus pais, nem do professor da escola dominical e nem mesmo do pastor (e olhem que estou disposto a deixar que tragam todos eles aqui para orar com vocês.) — nem todas as orações deles, absolutamente nada pode evitar que esse frasco se quebre quando eu o soltar.
Havia quinze anos que ele vinha fazendo isso e os alunos mais adiantados geralmente preveniam os novatos. Eu já estava no último ano, quando entrou para a Escola um certo jovem. Alguns colegas foram avisá-lo sobre o professor e ele quis saber:
— E nessa Escola há alguém que acredita em oração?
— Bem, cremos que há um sujeito. É o Harvey. Ele mora na Rua North Main, pouco abaixo daqui. Não sabemos o número.
Mas deram-lhe uma descrição da minha casa. Um dia ouvi baterem à porta. Fui atender e lá estava o calouro. Perguntou-me:
— Você é Dick Harvey?
— Sim.
— Você crê em oração?
— Creio.
— Alguns alunos me informaram que você e o único sujeito da Escola que ainda acredita em oração. Posso entrar?
— Certamente.
Ele então prosseguiu:
— Devo explicar-lhe que sou crente, nascido de novo. Fiz opção por Química, o que talvez pareça uma tolice da minha parte, uma vez que já sei o que o Dr. Lee costuma fazer. Mas Deus me fez sentir que deseja que eu o enfrente. Por isso quero que você ore para que o Senhor me dê coragem quando chegar a hora, e também, quero que ore para que o frasco não se quebre. Eu ficaria muito grato, se todas as vezes em que você for orar, puder se lembrar de pedir por isto, até mesmo quando der graças nas refeições. Restam-me duas semanas antes do dia da experiência, e espero que Deus me dê coragem para aceitar o desafio.
— Está bem. Vou orar com você.
Depois ele acrescentou:
— Deus me deu a promessa que diz que, se duas pessoas estiverem de acordo a respeito de qualquer coisa que pedirem, assim será — não talvez seja — mas será feito por meu Pai que esta nos céus.
Eu também optara por Química, porque pretendia mais tarde, na continuação do meu curso universitário, ir para a Escola de Medicina. Por isso, quando a conferência teve início, eu estava no andar térreo, no laboratório de análises qualitativas. Mais ou menos na hora em que o Dr. Lee deveria lançar o seu desafio, subi para o auditório e fiquei bem lá no fundo. O medo dominava-me o coração e eu tremia exageradamente. Quem se aproximasse de mim, pensaria que eu sofrera uma paralisia cerebral.
Finalmente chegou o momento. Postando-se à frente da mesa, o professor perguntou:
— Existe aqui alguém que ainda crê em oração?
Meu jovem colega estava sentado no meio do auditório. Havia cerca de trezentos alunos na sala. Era a maior classe da Escola. Ele saiu para o corredor central, e declarou:
— Dr. Lee, eu creio.
O Dr. Lee então exclamou:
— Ora, vejam só que interessante! Este rapaz aqui crê que Deus responde orações. E dirigindo-se ao meu colega, falou num tom sarcástico:
— Acredita mesmo que Deus vai atendê-lo?
— Sim, senhor. Tenho certeza de que Ele o fará.
— Isso é bastante curioso, não acham? Talvez fosse melhor eu Ilhe explicar detalhadamente o que vou fazer.
Então repetiu todo o processo: ia erguer o frasco, abrir a mão e deixá-lo cair. Ele ia se espatifar e não havia nenhum poder, nem no céu, nem na terra, capaz de evitar que aquilo acontecesse. Quando terminou de falar, virou-se para o meu amigo e perguntou:
— Ainda quer orar?
— Sim, Dr. Lee. Eu quero.
— Ora, isso é realmente surpreendente. Vamos todos permanecer reverentes enquanto esse moço vai fazer a sua oração.
Oh! Como ele era irônico, ainda perguntou ao jovem:
— Você está pronto?
— Estou pronto há muito tempo. Dr. Lee.
— Muito bem, então pode orar. Todos nós vamos abaixar a cabeça.
Aquele jovem, no entanto, nem curvou a sua. Apenas ergueu os olhos ao céu e disse:
— Pai celeste, em nome de Jesus Cristo, eu te agradeço porque já me ouviste. Pela tua honra e pelo nome de Cristo, e também pela honra desse teu servo que depositou em ti a sua confiança, não permitas que este vidro se quebre. Amém.
O Dr. Lee repetiu mais uma vez:
— Você está mesmo pronto?
— Já disse que estou pronto.
Em seguida o Dr. Lee apanhou o frasco, estendeu o braço e abriu a mão. Na queda, no entanto, Deus mudou a sua trajetória. Em vez de cair perpendicularmente, ele se desviou e foi bater no bico do sapato do professor, rolando depois pelo chão.
E NÃO SE QUEBROU!
A turma inteira explodiu em risadas, e o Dr. Lee, por todo o resto da sua permanência naquela Escola, nunca mais fez palestras sobre a oração. Deus pôs termo àquilo de uma vez para sempre.
Fui para casa, ajoelhei-me ao lado da cama e chorei diante de Deus, dizendo:
— Oh, Senhor, por que EU não fui capaz de me erguer em tua defesa? Por que EU não tive coragem de honrar o teu nome?
Aqueles que põem no Senhor a sua confiança jamais serão envergonhados. O mundo de hoje quer ver se o Deus que temos é vivo, se não está morto, se é capaz de responder as orações do seu povo.
Talvez a capacidade de me arriscar por Cristo, que mais tarde eu vim a adquirir, seja fruto do exemplo de um jovem que, numa aula de Química, ergueu-se sozinho e orou para que Deus honrasse o seu grande nome. E Ele honrou.
Embora o fato tenha ocorrido há muitos anos, até hoje a história do frasco que não se quebrou ainda é contada naquela Escola.



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