• Luiz Fernando Arêas

PRECIPITAÇÃO OU PACIÊNCIA INTERIOR

Bom dia.


Leia Tiago 1.19-21


Segurar a língua não é fácil. Tão pouco os pensamentos. Muitas vezes falamos o que não devia ser dito ou da forma como devia ser dito. Julgamos apressadamente, exercemos nossos "pré-conceitos". A Escritura é pródiga em nos advertir que precisamos de uma vigilância ostensiva para não incorrer nesses erros.

Você já viu alguém que se precipita no falar? Há mais esperança para o insensato do que para ele.

Provérbios 29.20


Lembro-me de um professor contar em classe um caso que aconteceu com ele. Todo fim de semana gostava de jogar futebol com um grupo de conhecidos. Todos iam para o paredão e os times iam sendo escolhidos, obviamente os melhores primeiro, e os menos talentosos iam ficando pro fim.


Naquele dia havia um jovem desconhecido visitava o grupo pela primeira vez. Ficou por último. E acabou com o jogo porque era jogador semiprofissional. Cuidado com o desconhecido, com os julgamentos apressados...


O sacerdote inglês Willam Ullathorne fez uma bela ponderação sobre paciência interior e precipitação:


O inimigo do formidável hábito fundamental de paciência interior é a precipitação: precipitação no pensamento, precipitação no julgamento, precipitação nas maneiras, precipitação nas falas. Mesmo os poderes naturais de todo tipo se tornam a verdadeira força quando operam submissos e harmônicos sob a direção da luz divina e a ação da graça divina; e essa sujeição disciplinada que, em todos os aspectos, está sob o domínio de Cristo, nosso Senhor, ele, governando-nos com sua graça, faz da alma o sereno órgão do Espírito Santo para que possa nos animar, controlar e guiar nossa alma.

William Bernard Ullathorne, 1806-1889


Parece-me que a palavra chama do texto de Ullathorne é "sujeição". Longanimidade (pavio comprido) e domínio próprio não apenas são traços de personalidade, mas características do fruto do Espírito:

mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.

(Gálatas 5.22,23)


O teólogo Millard Erickson traduziu assim a dinâmica do crescimento espiritual no Espírito:

Ser cheio do Espírito não é tanto uma questão de obter mais do Espírito, mas de Ele possuir uma fatia maior da nossa vida.

Millard Erickson,1932-


Numa palavra, "sujeição". As disciplinas espirituais nos ajudam a cultivar essa sujeição a Deus. Não deixar que as urgências atropelem nossas agendas é um bom começo.


O notável Benjamin Franklin, 1706-1790, dono de uma mente singular,

desenvolveu uma agenda simples e prática para organizar seu dia. Nela o dia começava com a pergunta da manhã e terminava com a pergunta da noite. A pergunta da manhã era: Que bem eu devo fazer neste dia? A da noite: Que bem eu fiz hoje?


Reflexão importante de ser feita, parar para pensar como tem sido nosso viver diário. Caso contrário, nossa vida pode se tornar uma sucessão frenética de dias caóticos. Gastaremos muita energia, conseguiremos fazer pouco.


É fundamental começar bem o dia, mas é igualmente necessário terminá-lo bem. Eu acrescentaria à agenda de Franklin duas perguntas, embora, creio que elas estejam subentendidas: o que de mal eu fiz hoje? Quais foram meus pecados de hoje?


Esse exercício é proposto no belo hino "Oração Noturna", também conhecido como "Finda-se este dia"


Finda-se este dia que meu Pai me deu,

Sombras vespertinas cobrem já o céu.

Ó Jesus bendito, se comigo estás,

Eu não temo a noite, vou dormir em paz.


Com pecados hoje, eu te entristeci,

Mas perdão te peço por amor de ti.

Sou pequeno e frágil, livra-me do mal!

Que em ti eu tenha proteção final.


Guarda o marinheiro no violento mar,

E ao que sofre dores queiras confortar.

Ao tentado estende tua mão, Senhor!

Manda ao triste, aflito, o Consolador.


Pelos pais e amigos, pela santa Lei,

Pelo amor divino, graças te darei!

Ó Jesus, aceita minha petição,

E, seguro durmo sem perturbação Amém.




Comecemos e terminemos bem nossos dias.







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