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OBSTÁCULOS PODEM SE TORNAR DEGRAUS - parte 3 de 4

Foto do escritor: Luiz Fernando Arêas
Luiz Fernando Arêas
6 de set.
4 min de leitura

Bom dia.




Prosseguimos com a reflexão: "Obstáculos podem se tornar degraus" (veja parte 1, parte 2).


Vimos anteriormente:


Quando Deus parece em silêncio.


Quando até as pessoas se tornam obstáculos.


Subtema de hoje:


Uma migalha do poder de Deus é suficiente


Depois de enfrentar o silêncio de Jesus, a oposição dos discípulos e palavras que pareciam reafirmar a distância entre ela e o povo de Israel, a mulher cananeia encontra o obstáculo mais difícil da narrativa. Jesus respondeu a ela:


“Não é certo tirar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos”.

(Mateus 15.26)


À primeira vista, a resposta parece dura. A imagem refletia uma distinção conhecida naquele contexto entre os filhos da casa e aqueles que estavam do lado de fora.


A mulher poderia ter entendido aquilo como a confirmação definitiva de que não havia lugar para ela. Mas sua resposta revela uma fé extraordinária:


Disse ela, porém: “Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos”.

(Mateus 15.27)


Ela não discute com Jesus. Não exige direitos. Não tenta apresentar um currículo espiritual. Não diz: “Eu mereço.”. Ela simplesmente se agarra à abundância daquele que está diante dela.


Sua lógica é impressionante: se há pão suficiente na mesa, uma migalha basta. Se o poder de Jesus é tão grande quanto ela crê, não é necessário diminuir ninguém para que sua filha seja alcançada. Uma pequena manifestação daquele poder é suficiente para transformar completamente sua situação.


Essa mulher entendeu algo que frequentemente esquecemos: nossa esperança não está no tamanho de nossos méritos, mas na grandeza dos recursos de Deus.


A suficiência dos meus méritos está em saber que meus méritos não são suficientes.

Agostinho, 354-430


Às vezes nos aproximamos do Senhor como se precisássemos convencê-lo de que somos suficientemente bons. Enumeramos nossa fidelidade, nossas obras, nossos esforços, nossas renúncias. Em outras ocasiões fazemos o contrário: olhamos para nossos fracassos e concluímos que não podemos mais esperar nada.


A mulher cananeia não segue nenhum desses caminhos. Ela não confia em seus méritos, mas também não desiste por causa de sua condição. Sua confiança está em Jesus. Isso é humildade verdadeira.


Humildade não é dizer que Deus não pode fazer nada por nós. Também não é desprezar a própria vida. Humildade é reconhecer que dependemos inteiramente da graça e, justamente por isso, podemos nos aproximar daquele cuja misericórdia é maior do que nossa necessidade.


Há outra característica marcante nessa mulher: ela adorou antes de receber a resposta.


A mulher veio, adorou-o de joelhos e disse: “Senhor, ajuda-me!”

(Mateus 15.25)


Ela se prostrou diante de Jesus. A filha ainda estava sofrendo. O problema ainda não havia sido resolvido. Ela ainda não tinha ouvido: “Seja conforme você deseja”. Mesmo assim, ela se coloca aos pés do Senhor.


Essa é uma das formas mais profundas de adoração: reconhecer quem Deus é antes de vermos aquilo que Ele fará. A adoração amadurece quando conseguimos dizer: “Senhor, ainda não entendo, ainda não recebi, ainda estou esperando, mas continuo reconhecendo que tu és digno.”


Sua oração também se torna cada vez mais simples. Antes, ela clama por compaixão. Depois diz apenas: “Senhor, socorre-me.” Agora, sua resposta praticamente afirma: “Uma migalha é suficiente.”


Não há técnica nem fórmula. Há dependência.


Talvez você esteja enfrentando algo que parece grande demais: uma crise familiar, uma preocupação financeira, uma enfermidade, uma situação que não consegue controlar, uma luta interior que se arrasta há muito tempo. Nossa tendência é medir o problema. A fé mede Deus.


Isso não significa minimizar a dor. A filha daquela mulher realmente sofria. Sua aflição era concreta. Mas ela percebeu que, por maior que fosse a necessidade, os recursos de Cristo eram maiores.


Uma migalha de sua graça é maior que nossa culpa.

Uma palavra sua pode sustentar o coração cansado.

Uma intervenção dele pode mudar a história inteira.

Uma pequena fresta de luz basta para romper a escuridão.


O segredo daquela mulher não estava em possuir uma fé espetacular em si mesma. Estava em ter colocado sua fé na pessoa certa. Por isso ela não abandona a mesa. Ela continua ali.

Permanece confiando. Segue adorando. E persiste no pedido.


Muitas vezes queremos grandes sinais para continuar crendo. Essa mulher nos ensina outra coisa: quando conhecemos a grandeza de Cristo, até uma migalha nos parece suficiente. E então Jesus pronuncia as palavras que transformam a cena:


Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã.

(Mateus 15.28 - ARA)


Aqui prefiro a Almeida Revista e Atualizada (ARA) porque esse "Ó" está no grego (texto original). Jesus, o Deus encarnado, se dá o direito de se admirar com a fé dessa mulher!


Aquela que parecia estar do lado de fora é apresentada como exemplo de fé. Aquela que encontrou barreiras encontra graça. Aquela que pediu uma migalha descobre que havia misericórdia abundante.


Nunca subestime o que Deus pode fazer com uma fé humilde, perseverante e depositada inteiramente nele.


Oração

Senhor, livra-me de confiar em meus méritos ou de desistir por causa de minhas fraquezas. Ensina-me a descansar na abundância da tua graça. Que eu saiba adorar antes da resposta, perseverar enquanto espero e reconhecer que teu poder é infinitamente maior do que minha necessidade. Uma palavra tua é suficiente. Amém.

 
 
 

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