• Luiz Fernando Arêas

ARREPENDIMENTO SUPERFICIAL OU CONVERSÃO SINCERA?

Bom dia.


Leia Oseias 5.15-6.6


No tempo do profeta Oseias, a corrupção de Israel atingia todos os setores da sociedade.

Desde a corte até os sacerdotes, passando pelo povo, violência e tirania estavam na ordem do dia. A maioria dos reis de Israel era assassinada por seus sucessores. Além disso, algumas vezes o país buscava aliança com nações ímpias, como a Assíria e o Egito. A prostituição, a idolatria e a corrupção são fortemente denunciadas pelo profeta e são a causa do destino fatídico de Israel.


A trajetória de Israel (Reino do Norte) termina tragicamente em 722 a. C. com a queda da capital Samaria, diante da Assíria. Oseias profetizou alguns anos antes deste acontecimento, o que torna sua mensagem ainda mais intensa e urgente. Como Jeremias no Reino de Judá, ele é o profeta da última chamada, a última chance do Reino do Norte se arrepender.


Amor intenso, traição, infidelidade, adultério, corrupção, prostituição, perdão, reconciliação, restauração. Esses são alguns dos ingredientes do livro de Oseias, um homem que foi usado por Deus para transmitir Sua Palavra e vivê-la numa espécie de parábola viva, passando pela experiência do casamento e da traição, do adultério e do perdão, vivificando dentro de sua própria casa o que se passou pelo coração de Deus.


O casamento do profeta não foi um matrimônio qualquer. Foi iniciado pela Palavra de Deus e estava repleto de propósitos reveladores. Deus instrui Oseias a se casar com Gômer, uma prostituta, para que os filhos dela sejam concebidos em prostituição. Isso mostrará como Israel agiu como prostituta ao afastar-se do Senhor. Gômer teve três filhos.


O primeiro, Jezreel, local que ficou conhecido como cidade da desgraça e da catástrofe em Israel. Era como dar ao filho o nome de Nagasaki, Chernobil, Hiroshima etc. Depois, Gômer tem uma filha. “Chame-a de Não-amada”, diz o Senhor, com a ameaça de não mais se compadecer da casa de Israel. Por fim, outro filho, “Não-Meu-Povo”, “porque vocês não são mais o meu povo e eu não sou o seu Deus”. Naquele tempo, uma prostituta corria o risco de tornar-se uma escrava. A situação de Gômer era tão degradante que ela acabou sendo vendida em praça pública. Oseias vai atrás dela, a compra e traz novamente para casa.


Com o desenrolar de seu drama pessoal, o profeta vai percebendo o paralelismo que havia entre o adultério de sua mulher e o adultério do povo de Israel, entre a dor do seu coração e a dor do coração de Deus.


O drama de Oseias e de Deus são um só. Deus se revela como o marido traído, humilhado, cuja mulher adulterou, indo atrás de outros homens, pois Israel se prostituía, correndo atrás dos baalins (deuses da fertilidade), fazendo aliança com outras nações e confiando no seu poderio militar.


No texto selecionado (Oseias 5.15-6.6), vemos um arrependimento superficial, oco, sem reconhecimento de culpa. Deus ouve, mas não acolhe. Arrependimento insincero não passa de remorso, como nos casos de Caim, Saul e Judas. Não gera mudança de vida nem recebe perdão.


Nosso orgulho sente desgosto por nossas falhas, e muitas vezes confundimos esse desgosto com o verdadeiro arrependimento.

François Fenelon, 1651-1715

Como diz Richard Roberts no seu livro "Arrependimento", editora Vida Nova, arrependimento é a primeira palavra do evangelho. Sem ele, não há salvação. A primeira mensagem de João Batista na Bíblia (Mateus 3.2) é idêntica à primeira mensagem de Jesus (Mateus 4.17):

“Arrependam-se, pois o reino dos céus está próximo”.

O arrependimento de Israel é tão autêntico quanto fake news. Deus descreve assim a inconstância de seu povo:

"Efraim é como uma pomba facilmente enganada e sem entendimento; ora apela para o Egito, ora volta-se para a Assíria." (Oseias 7.11)

Ou seja, uma declaração superficial, hipócrita, inconstante. A confissão é falsa. As atitudes de Israel são de continuar pedindo socorro ao Egito e Assíria, ao invés de confiar em Deus para resolver seus problemas.


Aquele que bate no peito, mas não emenda seus caminhos, não remove seus pecados; antes os enrijece.

Agostinho, 354-430

Sondemo-nos para ver se temos nos arrependido sinceramente dos nossos pecados.

O arrependimento é uma fonte perene, na qual as águas de uma tristeza santa estão sempre fluindo.

Thomas Brooks, 1608-1680


Concluo com uma canção hebraica baseada na passagem de hoje (Oseias 6.1-3), Lechu Venashuva ("Venham, voltemos", em hebraico), de Yaron Cherniak (à esquerda) tocando o saz, com Sheli Myers no vocal e Tom Blackham no violão.


Yaron é integrante do excelente grupo Miqedem, grupo musical de judeus messiânicos (cristãos), que cantam passagens do Antigo Testamento.


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